Um Método Infalível: A Maldição do Espelho

Ao longo de tantos anos debatendo ideias com diversos tipos de pessoas e diferentes públicos, desenvolvi, por indução, um método psicológico de intimidação para pessoas fanáticas e falsos moralistas, que denominei de Maldição do Espelho.
No que consiste esse método? O primeiro passo é identificar a relação de tais indivíduos com as ideias que defendem. O método só funciona se houver fanatismo e até que ponto esse fanatismo ultrapassa o limite da honestidade argumentativa.
Todo aquele que continua defendendo uma ideia mesmo após ultrapassar e muito esse limite revela que a verdade está longe de ser importante para o processo, pois o que realmente importa não passa de uma simples necessidade de acreditar. Qual necessidade seria essa? O segundo passo é precisamente identificar qual seria. E o terceiro passo, por fim, consiste em fazer com que isso deixe de ser uma necessidade para a pessoa. Qual a melhor forma?
Fica evidente que fanáticos e falsos moralistas fazem de seu discurso um disfarce enquanto as ideias que o sustentam servirem para esconder todo o seu ressentimento e fracasso pessoal, não só dos outros, mas também de si mesmos. Se há apenas uma pura necessidade de acreditar, e não interesse genuíno com a verdade, podemos inferir que essa necessidade é motivada primordialmente como um cobertor confortável para se sentirem melhores sobre si mesmos e evitarem qualquer tipo de confronto. Quando você insiste na argumentação até desarmar essa pessoa por completo, ela acaba sendo forçada a confessar para você mesmo quem realmente é. Não por ter sido convencida, mas por um sentimento de vergonha. Vergonha de si mesma. Vergonha de si mesma ao se olhar no espelho, pela primeira vez, despida, sem nenhum disfarce. A confissão furiosa, belicosa e maliciosa que se segue é fruto tão somente da vergonha da própria imagem no espelho, sem mais nenhuma ideologia para se esconder. A vida já deixa de ter sentido para a própria pessoa a partir dali.
Já apliquei este método várias vezes. Pude constatar, sem abrir margem para dúvida, que sempre funciona quando cumprido corretamente.






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