top of page
space-911785_960_720.jpg

Em Memória Às Rosas Vermelhas


Já disse para muitos que sou austrolibertário. Da mesma forma, insinuei que minhas histórias se passam no modelo de sociedade que eu gostaria de viver, mas nunca fui muito a fundo nos motivos para isso. Mas agora tudo será explicado, incluindo até mesmo as razões para as minhas muitas indagações. A explicação definitiva de porque sempre me caracterizei por ser um escritor que muda muito de ideia, a ponto de, ao longo desta jornada pelos livros, ter deixado vários leitores inseguros.

Minha mente fervilha a todo instante. Frequentemente, tenho a impressão de que meu cérebro vai explodir. Brincadeiras à parte, a grande questão é que meu projeto literário não é só um projeto literário. É um projeto de vida, um projeto de vida em que consegui alinhar tudo: minha vida, minha cosmovisão, profissão, relacionamentos, posicionamento, postura e normas de conduta.

Como eu abrangi tudo num só projeto, a sua execução ficou ainda mais difícil. Transpôs o mundo da imaginação, da escrita literária propriamente dita, e atingiu a investigação filosófica e científica.

Em suma, fiz do austrolibertarianismo meu grande pano de fundo criativo e literário.

 

 

ESTÁGIO 1

Entenda o universo como uma unidade, como um ser vivo autossustentável. Ele não precisa de energia estelar, pois as estrelas seriam tipo um órgão de seu próprio corpo. Neste primeiro estágio, o universo conta apenas com a sua força criadora (os Dois que São Um), e por ela surge como uma unidade. Afinal, consegue ser autossustentável.

 

 

ESTÁGIO 2

Ao entrar em contato com a energia de Adrag (a causa de toda entropia), esse ser unitário se fragmenta, dando origem ao mundo como o conhecemos. Porque Adrag, limitando o poder dos Dois Que São Um, distorce o universo. A partir dele surge a finitude, a escassez.

Os Dois Que São Um (a energia criadora) são constituídos por Hito e Hita.

Hita direciona. Hito dá o movimento. Adrag faz com que nunca haja uma sincronização completa entre direção e movimento, causando assim a finitude.

Como os Dois Que São Um e Adrag possuem atuações muito bem delimitadas e excludentes, existe o Acordo Interdimensional: O universo fragmentado, duplicado três vezes, constituindo uma tríade multiversal.

No mundo 1, a manifestação temporal de Hito e Hita age diretamente primeiro; no mundo -1, Adrag se antecipa em suas ações diretas; no mundo 0, ou mundo neutro, as ações diretas das manifestações temporais das duas entidades antagônicas ocorrem simultaneamente, acabando por anularem-se.

 

 

ESTÁGIO 3

Como a necessidade de criar dos Dois Que São Um é infinita, bem como sua imaginação — e esses mesmos aspectos valem para a necessidade e poder de destruir de Adrag —, existe ainda mais um estágio, que abrange o que denominei de mundos externos, fora da tríade interdimensional descrita nos tópicos anteriores.

 

 

SÍNTESE

 

Em resumo, o que fiz aqui foi uma construção de mundo baseada no austrolibertarianismo, utilizando conceitos existentes no mundo real e personificando-os. A finitude, a escassez, é a causa primeira da existência da Lei. A antítese entre construção ou criação e destruição representa o grande dilema ético em que estamos inseridos: não se pode construir e destruir uma mesma coisa ao mesmo tempo. Conflito no austrolibertarianismo é definido dessa forma, como uma impossibilidade de ação, quando dois ou mais indivíduos tentam se apropriar de um mesmo recurso escasso para fins excludentes simultaneamente.

Essa é a religião/filosofia de vida dos personagens de todas as minhas histórias e é sobre ela que se assenta toda a ordem moral, social e institucional das sociedades onde eles estão inseridos. É o pano de fundo da saga “Uma Sombra No Multiverso”, cujo processo criativo inspirou tudo isso.

E não para por aí. Podemos extrair de todo este sistema ainda a exaltação e a superioridade do feminino, tão presente em minhas obras.

Hito é o masculino. Sua mobilidade é, nesta simbologia, análoga ao espermatozoide, a célula móvel que caracteriza os machos. Hita é o feminino, dá a direção para o movimento, assim como o óvulo serve de direção para cada espermatozoide.

No mundo ideal, descrito no ESTÁGIO 1, uma vez que direção e movimento estariam em sincronização perfeita, a própria ideia de movimento, uma categoria fundamental do conceito de mudança, é anulado, pois o ser simplesmente já É. A direção, por outro lado, continua a existir, com a única diferença de que ela deixa de ser um ideal e passa a constituir-se como propriedade do próprio ser.

O feminino, partindo dessas premissas, representa a plenitude, a perfeição, a imutabilidade. Em outras palavras, naquilo que é eterno, somente o feminino prevalece. Como não somos eternos e vivemos num mundo onde a energia de Adrag (finitude) é uma realidade, o universo como o conhecemos, não passa de uma distorção do projeto original do Divino.

Entretanto, as mulheres ainda carregam resquícios de sua energia ancestral. Esses resquícios estão no poder de formar um novo ser humano em seu ventre, na liderança das mulheres inteligentes e/ou sábias, em virtudes predominantemente femininas, como amor, cuidado, empatia, dentre várias outras.

A mulher é o portal entre o mundo transcendental e o mundo onde estamos. Nascemos delas. Temos estas guerreiras como primeiro objeto de amor, na maioria esmagadora das vezes. O leite materno, nosso primeiro desjejum, como podemos constatar, é prova viva desta força maior feminina. Assim como o princípio criador, a energia primordial da existência, representada por Hita.

As mulheres são como rosas vermelhas: a cor do portal sagrado por onde o intercurso sexual culmina para gerar uma nova vida. Rosas vermelhas cujo aroma se torna a primeira de nossas memórias afetivas, abarcando memórias inconscientes da vida interina. Memórias de amor, cuidado e carinho. Memórias da gênese de nossa existência.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

HOPPE, Hans-Hermann. Uma teoria do socialismo e do capitalismo. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013.

 

REDALYC. Punição e Proporcionalidade: A Abordagem do Estoppel. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5863/586364159016/html/

 

Comentários


bottom of page