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Em Memória Às Rosas Vermelhas

8 de jul.
3 min de leitura

Atualizado: 15 de set.


Já disse para muitos que sou austrolibertário. Da mesma forma, insinuei que minhas histórias se passam no modelo de sociedade que eu gostaria de viver, mas nunca fui muito a fundo nos motivos para isso. Mas agora tudo será explicado, incluindo até mesmo as razões para as minhas muitas indagações. A explicação definitiva de porque sempre me caracterizei por ser um escritor que muda muito de ideia, a ponto de, ao longo desta jornada pelos livros, ter deixado vários leitores inseguros.

Minha mente fervilha a todo instante. Frequentemente, tenho a impressão de que meu cérebro vai explodir. Brincadeiras à parte, a grande questão é que meu projeto literário não é só um projeto literário. É um projeto de vida, um projeto de vida em que consegui alinhar tudo: minha vida, minha cosmovisão, profissão, relacionamentos, posicionamento, postura e normas de conduta.

Como eu abrangi tudo num só projeto, a sua execução ficou ainda mais difícil. Transpôs o mundo da imaginação, da escrita literária propriamente dita, e atingiu a investigação filosófica e científica.

Em suma, fiz do austrolibertarianismo meu grande pano de fundo criativo e literário.

 

 

ESTÁGIO 1

 

 

Entenda o universo como uma unidade, como um ser vivo autossustentável. Ele não precisa de energia estelar, pois as estrelas seriam tipo um órgão de seu próprio corpo. Neste primeiro estágio, o universo conta apenas com a sua força criadora (os Dois que São Um), e por ela surge como uma unidade. Afinal, consegue ser autossustentável.

 

 

ESTÁGIO 2

Ao entrar em contato com a energia de Adrag (a causa de toda entropia), esse ser unitário se fragmenta, dando origem ao mundo como o conhecemos. Porque Adrag, limitando o poder dos Dois Que São Um, distorce o universo. A partir dele surge a finitude, a escassez.

Os Dois Que São Um (a energia criadora) são constituídos por Hito e Hita.

Hita direciona. Hito dá o movimento. Adrag faz com que nunca haja uma sincronização completa entre direção e movimento, causando assim a finitude.

Como os Dois Que São Um e Adrag possuem atuações muito bem delimitadas e excludentes, existe o Acordo Interdimensional: O universo fragmentado, duplicado três vezes, constituindo uma tríade multiversal.

No mundo 1, a manifestação temporal de Hito e Hita age diretamente primeiro; no mundo -1, Adrag se antecipa em suas ações diretas; no mundo 0, ou mundo neutro, as ações diretas das manifestações temporais das duas entidades antagônicas ocorrem simultaneamente, acabando por anularem-se.

 

 

ESTÁGIO 3

Como a necessidade de criar dos Dois Que São Um é infinita, bem como sua imaginação — e esses mesmos aspectos valem para a necessidade e poder de destruir de Adrag —, existe ainda mais um estágio, que abrange o que denominei de mundos externos, fora da tríade interdimensional descrita nos tópicos anteriores.

 

 

SÍNTESE

 

Em resumo, o que fiz aqui foi uma construção de mundo baseada no austrolibertarianismo, utilizando conceitos existentes no mundo real e personificando-os. A finitude, a escassez, é a causa primeira da existência da Lei. A antítese entre construção ou criação e destruição representa o grande dilema ético em que estamos inseridos: não se pode construir e destruir uma mesma coisa ao mesmo tempo. Conflito no austrolibertarianismo é definido dessa forma, como uma impossibilidade de ação, quando dois ou mais indivíduos tentam se apropriar de um mesmo recurso escasso para fins excludentes simultaneamente.

Essa é a religião/filosofia de vida dos personagens de todas as minhas histórias e é sobre ela que se assenta toda a ordem moral, social e institucional das sociedades onde eles estão inseridos. É o pano de fundo da saga “Uma Sombra No Multiverso”, cujo processo criativo inspirou tudo isso.

E não para por aí. Podemos extrair de todo este sistema ainda a exaltação e a supremacia do feminino no corpo social, tão presente em minhas obras.

Hito é o masculino. Sua mobilidade é, nesta simbologia, análoga ao espermatozoide, a célula móvel que caracteriza os machos. Hita é o feminino, dá a direção para o movimento, assim como o óvulo serve de direção para cada espermatozoide, de modo que a mulher aqui é a grande matriarca da humanidade.

Escolha minha, convenhamos, bastante apropriada, e acredito que não meramente pessoal. As mulheres são como rosas vermelhas: a cor do portal sagrado por onde o intercurso sexual culmina para gerar uma nova vida. Rosas vermelhas cujo aroma se torna a primeira de nossas memórias afetivas, abarcando memórias inconscientes da vida interina. Memórias de amor, cuidado e carinho. Memórias da gênese de nossa existência.

 

 

REFERÊNCIA

 

 

HOPPE, Hans-Hermann. Uma teoria do socialismo e do capitalismo. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013.

 

REDALYC. Punição e Proporcionalidade: A Abordagem do Estoppel. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5863/586364159016/html/

 

 

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