O Papel da Mídia Na Influência da Sociedade

Ao contrário do que muita gente parece supor, a mídia não é a representação da realidade, e sim recortes dela selecionados e interpretados pelo jornalista, refletindo sua personalidade, ideologia e paixões. Com isso, o Brasil acaba tendo a receita para a criação de estratégicas eficientes que possam inflacionar a percepção da opinião pública sobre os problemas sociais: alta taxa de criminalidade, combinada a problemas jurídicos enormes.
Desse modo, qualquer estatística ou notícia acerca de qualquer tipo de conflito será grande numericamente, mesmo que, na realidade, seja o oposto proporcionalmente. Assim, o Estado se sente à vontade para aparelhar as instituições visando abafar casos inconvenientes para a narrativa oficial, que interessa a ele, e ainda assim pagar de imparcial, de que está dando prioridade para cada problema na sociedade de acordo com a sua abrangência.
Para ilustrar, vamos supor que o Estado decida inflacionar a nossa percepção social sobre a ocorrência de certos tipos de homicídios. A Noruega e o Japão são dois dos países com a menor taxa de homicídios do mundo, de 0,35 a cada 100 000 habitantes e 0,23 a cada 100 000 habitantes, respectivamente (dados de 2025, segundo o jornal norueguês Aftenposten e a The National Police Agency (NPA), do Japão. Mesmo que a proporção de homicídios seja semelhante, com a do Japão sendo ligeiramente inferior, na Noruega, isso foi equivalente a 19 assassinatos ao ano, enquanto, no Japão, correspondeu a 976 homicídios ao ano. O que explica essa grande discrepância é o tamanho da população. A Noruega, com seus 5,7 milhões de habitantes, não se compara aos pouco mais de 122 milhões da população japonesa. Ou seja: a criação de uma falsa epidemia envolvendo crimes de assassinato poderia funcionar perfeitamente no Japão, o que não aconteceria na Noruega. 976 homicídios para 365 dias no ano parecem alarmantes, mas o mesmo não poderíamos dizer de 19 homicídios num ano inteiro.






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