Sobre Mulheres Na Política
- Alexandre Braga

- 21 de set. de 2025
- 3 min de leitura

O mundo da política e das corporações, forjado majoritariamente por homens, terá de ruir o quanto antes. Clamo por um novo tipo de liderança, alicerçado nas relações contratuais, jeito este tipicamente mais feminino de liderar — não por acaso, o mesmo sistema que escolhi para adotar no mundo imaginário dos meus livros de ficção, cuja predominância da liderança feminina, diga-se de passagem, não é nada mais que uma simples consequência deste regime.
Pois, mulheres, é a hora de vocês, as grandes empreendedoras dos lares, de acordo com o SEBRAE, assumirem as rédeas do globo e concederem a cada uma de suas famílias o poder de transformar o mundo.
Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, as mulheres seguem com a tendência geral de serem minoritárias na política em todos os países, à exceção da Bolívia, graças a uma rigorosa política de cotas e, sobretudo, da Ruanda, cujo caso é bem particular, pois envolve uma coalizão de mulheres que se ascendeu durante um genocídio que dizimou boa parte da população masculina da nação africana, na época, em plena guerra civil.
Por que há essa forte tendência universal de as mulheres serem minoria na política, mesmo após a conquista de seus direitos políticos em grande parte do mundo? Precisamente porque o sistema é masculino e as mulheres que entram para o jogo, naturalmente, possuem mais características tipicamente masculinas. Desse modo, não bastaria colocar mais mulheres na política para haver uma quebra no paradigma, mas mudar a forma de fazer governança, torná-la contratual, baseada na confiança mútua e na reciprocidade. Com isso, cria-se incentivos para a formação de lideranças naturais, que não sejam autoimpositivas. São essas as características que diferem uma liderança tipicamente feminina de uma liderança tipicamente masculina.
Mas que tipo de liderança — tipicamente feminina — se trata essa?
É, por exemplo, aquela observada na livre iniciativa, em que o bom líder só é um bom líder se estiver disposto a servir à sociedade. Não importa quantos querem ser homens e mulheres de negócios; no fim das contas, cabe ao consumidor sempre a palavra final.
É por isso que, ao contrário do que ocorre na política, há uma representatividade inversa de mulheres no empreendedorismo: elas empreendem mais, sobretudo, nas periferias, segundo uma revista online da USP; e ultrapassam os homens em quase todas as áreas, só não na construção civil e no setor agropecuário, de acordo com o SEBRAE.
No Brasil, elas dominam os setores de serviços, comércio e indústria, áreas que, precisamente, tendem a ter maior relevância no mundo desenvolvido.
Ainda que haja prevalência masculina no mundo dos negócios, em termos gerais, isso, na verdade, consiste num reflexo do fato de os homens dominarem a arena política, facilitando assim a obtenção de lobbys para suas respectivas empresas.
Costuma-se usar o argumento de que mulheres empreendem mais por necessidade do que homens. Isso é verdade. Contudo, outros dados do SEBRAE sugerem que as mulheres levam vantagem até mesmo na hora de adquirir os meios necessários tanto para abrir como para gerir o próprio negócio. São, em média, mais instruídas e maioria esmagadora nos cursos de capacitação profissional. Além disso, pelo menos 48% das empreendedoras não são chefes de domicílio, o que desmente a ideia de que a supremacia feminina nessas áreas se deva ao fato de praticamente empreenderem apenas por necessidade.
REFERÊNCIAS
SEBRAI. Infográfico – N° de donas de negócios chega ao recorde de 10,3 milhões. Acesso em: 08/03/2023. Disponível em: https://agenciasebrae.com.br/dados/infografico-n-de-donas-de-negocios-chega-ao-recorde-de-103-milhoes/
CENTRAL PERIFÉRICA Mulheres empreendedoras: além das periferias. Acesso em: 12/06/2024. Disponível em: https://centralperiferica.eca.usp.br/mulheres-empreendedoras-alem-das-periferias/#:~:text=Segundo%20dados%20do%20estudo%20Persona,incentivo%20da%20economia%20nas%20comunidades.
SERASA. Dia da Mulher: 93% das mulheres lideram finanças familiares. Acesso em: 08/03/2023. Disponível em: https://www.serasa.com.br/blog/dia-da-mulher-das-mulheres-lideram-financas-familiares/
CORREIO BRASILIENSE. Dia da Mulher: mulheres são maioria em cursos profissionalizantes Acesso em: 08/03/2023. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-profissional/2023/03/5078680-dia-da-mulher-mulheres-sao-maioria-em-cursos-profissionalizantes.html
CBE INTERNACIONAL. Mulheres ruandesas em ascensão. Acesso em: 05/06/2017. Disponível em: https://www.cbeinternational.org/pt/recurso/mulheres-ruandesas-em-ascens%C3%A3o/
LAI BERTHA LUTZ Ruanda: O que Há por Trás da Maior Representação Feminina na Política Mundial Acesso em: 11/07/2024. Disponível em: https://laibl.com.br/ruanda-parlamento-feminino-genocidio-e-colonizacao/
APOLITICAL. Classificado e mapeado: quais países têm mais mulheres no parlamento. Acesso em: 19/09/2017. Disponível em: https://apolitical.co/solution-articles/pt/quais-paises-tem-mais-mulheres-no-parlamento




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