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Para Sempre


Que a nossa alegria seja rito diário,


Chuva mansa e necessária,


E transborde pelos cantos do mundo


Como riso que não pede permissão.


Que as nossas brincadeiras


Invadam os dias cinzentos


E despertem nos outros


O gosto esquecido de ser criança.


Que o nosso amor


Não seja apenas pão —


Mas vinho,


Mas chama,


Mas o sopro invisível


Que reacende corações desacreditados.


Que o fogo ardente da nossa paixão


Seja lençol desfeito,


Colchão em brasa,


Respiração entrecortada na madrugada.


Que aqueça os verdadeiros amantes


E ensine, em silêncio,


Os que ainda não aprenderam a amar.


Que nos olhem —


E não vejam apenas dois corpos,


Mas a coragem


De quem transforma diferenças


Em combustível,


Em faísca,


Em desejo que nunca se apaga.


Somos diferentes, sim.


E é nessa dança de contrastes


Que nos encontramos:


Misturamos seriedade com riso solto,


Responsabilidade com leve vertigem,


Honestidade com perigo,


Amor com tesão —


E fazemos da entrega


A nossa mais lúcida filosofia.


Enfeitamos o abrigo do mundo


Com a nudez das nossas verdades.


Hoje estamos aqui,


Entre a chuva que escorre na janela


E o calor que escorre na pele,


Sentindo cada gota cair


Como se fosse o tempo


Beijando o agora.


As lágrimas já secaram.


As dificuldades nos atravessaram —


Mas não nos quebraram.


Porque há uma força que nos sustenta:


Não é apenas paixão.


É escolha.


É permanência.


É o verbo amar conjugado no plural.


Amor.


Ele nos rege,


Nos move,


Nos incendeia.


É o que nos diverte


E o que provoca inveja


Em quem teme a própria intensidade.


Porque amar assim


É ousadia.


É filosofia viva.


É aceitar que o eterno


Não mora no tempo —


Mas na maneira louca, lúcida e inteira


Com que decidimos amar.



Cleber da Silva



 #Para #Sempre @berkllepoeta



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