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Anjo revel


Com lânguida maldade

E um sutil veneno de malícia,

Sussurro ao teu ouvido

O quanto és — irremediavelmente — delícia.

És chama que instiga,

Mistério que intriga,

Menina de olhar febril,

Doce e indomável bandida;

E me entrego, rendido,

Ao desenho ardente do teu corpo proibido,

Quando, em gestos lentos, insinuas fantasias

Que me percorrem — por baixo, por cima —

E incendeiam minhas vias.

Elevas em mim a vertigem,

Um êxtase que transborda,

Prazer denso, quase abismo,

Onde a razão já não se acorda.

Fazemos do tempo um sopro,

Do toque, um rito profundo —

Enquanto a luz nos revela

E teus gemidos ecoam no escuro do mundo.

Arranhas-me a pele,

Mordes-me a alma com ardor,

Suplicas mais — sem fuga —

Num delírio de desejo e fervor;

E ao tentar tocar o céu em meu peito,

É em mim que te perdes, por inteiro —

Pois sou, no teu desejo secreto,

O teu anjo revel e derradeiro.

Devoro-te em instantes febris,

E te venero em cada centímetro de pele,

Seja no abrigo de um quarto qualquer

Ou onde o desejo nos revele.

Quero-te em beijos demorados,

Em contemplação sem pudor,

Saboreando-te em silêncio

Como se o tempo fosse só nosso rumor.

Com a língua em brasa e promessa,

Deslizo em teu corpo — poesia em combustão —

Provando teu gosto raro,

Como um vício que se instala no coração.

És o princípio que me guia,

O meio onde me perco sem fim;

E o fim — se um dia existir —

Jamais ousará tocar o que há entre nós assim.

Porque amar-te, em sua essência mais crua e divina,

É a única verdade que em mim se ilumina.


Cleber da Silva


#Anjo #revel @berkllepoeta


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