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Exclusivo: O DIA QUE O MST FALOU SEM CENSURA

“A missão do MST é destruir o latifúndio”, foi com esse tom desafiador que Luis Afonso Arantes, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), falou da verdadeira guerra travada no campo pelo movimento contra uma estrutura latifundiária forjada no Brasil ao longo dos 508 anos de existência desse país. 

Com mais de dois milhões de militantes o MST é o maior movimento de luta pela reforma agrária da América Latina. Número que segundo o coordenador é devido a grande concentração de terras existentes no país. “Não sabemos se nós somos grandes ou se o número de trabalhadores expulsos do campo é grande demais”, afirmou.

Questionado porque nos EUA e na Europa a reforma agrária saiu do papel no século XVIII e no Brasil até hoje não foi feita ele fez a seguinte análise. “Esses paises fizeram a reforma agrária para atender uma demanda do capitalismo, devido à necessidade das indústrias por matéria-prima e para acabar de vês com os feudos. Agora o Brasil teve uma industrialização tardia, por isso não houve necessidade, porque se houvesse necessidade por parte do capita ela já teria sido feita”.

            Para ele o grande entrave para que o Brasil não promova de fato a reforma agrária é um grande pacto feito entre as classes dominantes e a mídia, tanto que o movimento coloca os veículos de comunicação brasileiros como segundo na lista de inimigos perdendo apenas para o latifúndio. “Depois do latifúndio a mídia é nossa principal inimiga”, afirmou. De acordo com o coordenador a imprensa em geral ataca o MST em duas frentes: marginalizando o movimento saindo do viés da reforma agrária mostrando apenas uma imagem negativa do MST.

E por meio de uma lógica alienante ridicularizando o homem do campo criando uma imagem negativa do trabalhador rural. “Toda vez que o povo brasileiro luta por seus direitos, a mídia marginaliza o povo a mando do poder da elite”, ressaltou. “A TV mostra o trabalhador rural como um caipira ridículo”, denunciou Luis. Para mostrar o poder que mídia exerce, o líder citou um fato da “cultura” goiana. “Tem gente que trabalha o ano todo para comprar um chapéu e uma bota para ir à pecuária, todo mundo quer ir para pecuária vestido como fazendeiro e não como o trabalhador rural”, provocou Luis Afonso acusando a mídia.

Coordenador do MST em Goiás, o engenheiro agrônomo, André Luis Rodrigues da Silva, rebateu veementemente as críticas que alguns membros do MST vendiam as terras destinadas a eles pelo programa de reforma agrária promovido pelo governo federal por meio do Instituto Nacional de Coordenação da Reforma Agrária (Incra). “A minoria vende, isso acontece porque as terras disponibilizadas pelo Incra, são de má qualidade, são terras inférteis”, afirmou André.

Questionado sobre os recursos destinados ao agricultor depois de assentado pelo governo federal ele diz que uma família recebe R$ 24 mil para o fomento da terra, um credito de R$ 2 mil para construção de uma casa e R$ 1,8 mil do Pronaf.. Quanto ao argumento usado pelos latifundiários que o MST invade apenas terras produtivas o engenheiro agrônomo fez o seguinte alerta. “O que adianta a terra ser produtiva e só família do dono da fazenda ficar rica enquanto os funcionários da fazenda vão passar a vida toda na miséria”, provocou.

Outro dado apresentado por ele contra a tese dos latifundiários brasileiros, foi a de que 80% dos alimentos consumido pelos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar, ou seja, pelos pequenos produtores rurais. “Os grandes latifundiários produzem soja para alimentar os bois do EUA, cana-de-açúcar para produção de etanol e gado para abastecer o mercado europeu. Quem abastece de verdade as cidades brasileiras são os pequenos agricultores conforme foi publicado em pesquisa recente do IBGE”, esclareceu André.

Os dirigentes também fizeram duras criticas a ordem política e o sistema político brasileiro. Para eles o processo eleitoral no Brasil é uma grande farsa, uma espécie de jogo de cartas marcadas. “Não acreditamos na democracia existente no Brasil, inclusive temos uma resolução do movimento proibindo qualquer militante de concorrer a qualquer cargo eletivo nas eleições deste ano”, afirmou Luis Afonso. Para André Luis só com uma revolução o povo brasileiro poderá alcançar as grandes transformações sociais que para ele são gritantes. “O Brasil só será realmente do povo se a burguesia for tirada do poder. Educação, saúde, terra só com o povo no poder”, afirmou.

Questionados em qual governo a reforma agrária avançou, ambos afirmaram o presidente FHC assentou mais trabalhadores rurais do que Lula, segundo eles porque houve uma pressão maior do movimento na época, devido ao grande número de trabalhadores expulsos do campo pela política neoliberal do tucano. Segundo Luís, FHC assentou muitas famílias, mas sem nenhum auxílio do governo e o processo de assentamento estava parado por isso houve uma luta intensa e a reforma agrária avançou mais.

            Coordenador do acampamento do MST no município de Bela Vista de Goiás, Vanderlei Barbosa (53), é responsável pela organização e mobilização de 150 famílias. As famílias estão em barracas de lona cedidas pelo Incra em um terreno alugado no quilometro 35 às margens da rodovia que liga Goiânia a Bela Vista.  De acordo com Vanderlei o acampamento é formado por pessoas que pretendem ser contempladas com o programa de reforma agrária do governo federal, que para ele seria a transformação social que o Brasil precisa. “Todas as pessoas  aqui  lutam por seu pedaço de chão e pela transformação social ..

Sonho que norteia a vida de vários acampados, como a de Ronaldo Firmino (41), que em sua barraca iluminada por um lampião, contou enquanto saboreava seu jantar com forte cheiro de pimenta, que está no acampamento há cinco meses em busca de uma terra. “Trabalhei toda vida na roça, por isso quero um pedaço de terra para mim”, afirmou. Chefe de família ele ainda não levou para sua barraca esposa e duas filhas. “Elas estão na casa de parentes em Goiânia”, esclareceu. Questionado sobre o fato de pessoas estarem em acampamentos há mais de 10 anos esperando a tão sonhada terra ele foi enfático. “Só fico aqui por um ano e nem um dia mais”, enfatizou.

Para Samuel Santana (28), a necessidade de uma vida melhor foi o que o levou a ingressar no movimento, andarilho do campo como a maioria dos integrantes do MST, ele já foi boia fria na cidade de Ipameri e hoje com um cabelo black power, exerce a função de disseminar os ideais do movimento pelos assentamentos. “Sou responsável pela formação política nos acampamentos”.. Segundo Samuel só com a união das populações urbanas e rurais o Brasil será um país menos desigual. “Se o campo e cidade se unir à burguesia será derrotada”, profetizou.

Reunidos em uma área feita de madeira coberta por palhas de coqueiro com uma noite bastante estralada de fundo, cerca de 10 militantes esclareceram as regras do acampamento que de acordo com o coordenador Vanderlei Barbosa são decididas pela maioria. “Nesse acampamento, não aceitamos uso de bebidas alcoólicas, drogas. Nosso banheiro também é coletivo as mulheres tomam banho às 4 da tarde (medida que causou revolta das mulheres presentes) e os homens às 6 da tarde”, revelou Vanderlei.

  Sobre o governo Lula e a atual conjuntura política Vanderlei e Samuel, foram categóricos em afirmarem que o presidente Lula fez um acordo com a burguesia nacional. Mas também ressaltaram que no governo Lula a repressão contra o movimento é bem menor do que o governo FHC. “No governo Lula a Polícia Federal corre atrás de bandido e não de trabalhador como no governo FHC (risos)”. Concluíram. 

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EXCLUÍDOS BUSCAM UM FUTURO MELHOR

Veja como brasileiros com caminhos e vidas diferentes tentam suprir ineficiência do Estado

Em quartos cheirando a degradação humana e nos corredores escuros do antigo Hotel Ipiranga, tendo como visão apenas o trânsito frenético da Avenida Anhanguera da capital goiana, brasileiros moradores de ruas, na sua maioria retirantes procuram um futuro melhor na Casa da Acolhida, único abrigo público de Goiânia. Mantido com recursos da prefeitura de Goiânia e da União, o abrigo é referência para pessoas que estão à margem da sociedade, a casa recebe um grande fluxo de pessoas. "Atendemos mais de 100 pessoas a cada 20 dias", afirmou Renato Vieira, coordenador do órgão.

Funcionando 24 horas, 20 funcionários da Casa da Acolhida recebem pessoas de 0 a 90 anos, pelo prazo máximo de 15 dias, às pessoas atendidas são oferecidas café da manhã, almoço e janta. Além de roupas e encaminhamento ao emprego. "Quando a pessoa chega aqui, procuramos fazer sua inserção no mercado de trabalho", informou Fátima Santana, assistente social da casa.

Quanto ao perfil das pessoas que procuram os serviços da casa, ela afirma que sempre chegam debilitados na grande maioria devido ao alcoolismo. "Principalmente os moradores de rua, que estão lá por uma desilusão amorosa", afirmou Fátima. Fazendo uma referência ao preconceito que o grande número de nordestinos e maranhenses sofre no Estado de Goiás ela diz. "Eles são mais trabalhadores do que os goianos, eles não escolhem trabalho", alertou Fátima Santana.

Para ela a o baixo nível de escolaridade e a falta qualificação profissional é um fator determinante a busca de serviços braçais. Fátima também condena a doação de esmolas por pessoas comuns e principalmente os programas sociais como Renda Cidadã e Bolsa Família oferecidos pelo poder público. "Fizemos uma campanha para que o cidadão comum não dê esmola e sou contra as ajudas assistencialistas do governo, para mim elas não promovem a inserção do beneficiado na sociedade, ela causa uma certa acomodação nas pessoas", concluiu a assistente social.

 Visivelmente conturbado, olhar assustado, dentes destruídos em função das drogas e com a doença de pele conhecida popularmente como pano branco espalhada pela pele. O morador de rua, Rômulo Alves (27), diz que chegou às ruas devido às drogas. "Minha família perdeu a confiança em mim, por causa das drogas".

Há mais de 12 anos nas ruas de Goiânia ele disse que já enfrentou muitas adversidades na rua, principalmente quanto à questão das drogas. "Todo que eu conseguia na rua ia para as drogas", disse. Quanto ao seu futuro Rômulo garantiu que há 17 dias não usa droga e que esta tentando arrumar seus documentos para conseguir um emprego e uma moradia. "A Casa da Acolhida ta fazendo meus documentos, pra mim arrumar um trampo e alugar um barraco", afirmou o morador de rua.

 Pai de uma filha de três anos, ele prefere morar na rua do que morar na casa de sua esposa, segundo ele por desavenças familiares. "Na família dela é todo mundo maluco, não do certo com aquele bando de maluco não".  Hospedada na Casa da Acolhida há pouco mais de uma semana, Clara Almeida (25), é mais nova mãe da casa, ela participava de um culto evangélico a convite de um morador do abrigo quando começou sentir contrações e teve seu terceiro filho, uma menina que segundo ela deve se chamar Vitória, já que, mãe e filha não possuem documentos.

Acostumada com quase nada, Clara comemorou com inúmeras gargalhadas o presente dado à pequena Vitória a quem ela amamentava. "Fiquei muito alegre com uma mulher da igreja, ela me deu todo o enxoval. Lá no Maranhão o povo não é bom assim não", afirmou Clara. Mas como quase todas as pessoas que passaram pela casa, a vida de Clara foi bastante conturbada, filha adotiva no Maranhão ela disse que fugiu de casa devido aos maus tratos recebidos pela família. "Sai de casa aos 15 anos, eu apanhava demais", desabafou.

Questionada sobre porque ela estava em Goiânia, ela contou uma história que se confunde com a de milhares de maranhenses, ou seja, busca por uma oportunidade melhor. "Estou a caminho da cidade de Uberlândia em Minas, meu marido é de lá, por isso vamos pra cidade dele, lá tem mais emprego", afirmou. Clara também contou que conheceu seu marido em um circo na cidade Bernardo de Mearim (MA), onde os dois trabalhavam até iniciar sua trajetória até Goiânia.

Logo após terem conhecido os dois foram demitidos do circo, foi então que houve a decisão de voltar para terra natal de seu marido. "Meu marido tinha um computador, vendemos e fomos até Imperatriz", disse Clara. Chegando a cidade de Imperatriz (MA), Clara e sua família foi abrigada em colégio particular onde ficou até conseguirem dinheiro para chegar a Goiânia.

            "Goiânia é boa de serviço!", foi com essa afirmação que Marcel Rosa (25), justificou vinda dele e de sua esposa Maria Angelita, da cidade de Cuibá (MT) para Goiânia. Açougueiro de profissão e com o quarto ano primário Marcel está a procura de vaga de trabalho em algum frigorífico da capital.

Como a maioria dos abrigados na Casa da Acolhida, sua história de vida mostra uma realidade cruel. Filho de presidiário, Marcel foi passou parte de sua vida no Presídio Agrícola das Palmeiras (MT), devido ao fato que no Estado do Mato-Grosso as esposas dos detentos podem morar com seus maridos nos presídio. "Nasci e vivi com a malandragem, minha vida é um livro aberto", enfatizou.

Ele também afirma que seu sonho de consumo em Goiânia é conseguir alugar uma moradia. "Quero trabalhar e cair pra dentro de um barraco de aluguel como vocês dizem aqui". Questionado qual é a meta de sua vida, ele comentou. "Meu sonho é voltar para Cuibá e montar uma confecção para minha esposa", concluiu.

Trabalho voluntário leva um pouco alento onde o Estado não chega.

Naquele rosto cansado pelas marcas do tempo, estão mais de 73 anos de serviços prestados a um mundo que a sociedade ignora e segrega. Nos dias atuais onde impera o individualismo somos surpreendidos pelo trabalho de Irmã Margarida (85), uma religiosa que fugiu ao controle da Igreja Católica, rompendo todas as normas em defesa da caridade. "Lá vai a freira estrambelhada", referindo-se ao tratamento dado a ela por setores conservadores da igreja, quando a mesma partia para sua jornada junto a moradores de rua, prostitutas e presidiários.

Com sua voz cansada ela logo se entusiasma quando cita seus 54 filhos, para Irmã Margarida, sua maior conquista. Na década de 80 a religiosa abrigou e foi responsável pela criação e a educação de 54 crianças que hoje são pessoas bem sucedidas em suas respectivas vidas. "Cuidei de 54 filhos, com muito amor", afirmou a religiosa.

É quando cai à noite, quando um dos trabalhos de Irmã Margarida é iniciado juntamente com um grupo da Casa de Apoio Lar de Jesus, percorrendo as ruas na madrugada gelada de Goiânia, fornecendo alimentos ao grande número de moradores de rua da capital. "Fornecemos uma sopa bem quentinha para eles", disse Irmã Margarida.

Outra área de atuação acontece junto aos presidiários no CEPAIGO, a quem a religiosa faz um alerta. Segundo a freira todo trabalho feito por presidiários no período em que estão cumprindo pena é remunerado pelo Estado, e ao saírem em liberdade os mesmos não procuram a Caixa para sacar a quantia. "Existe mais de 1500 contas, Caixa Econômica Federal com depósitos em nomes dos presos", alertou.

"Já morei em um prostíbulo", afirma a religiosa. Ao fazer referência ao seu trabalho desenvolvido junto a prostitutas, de acordo com ela, em certo momento o caminho mais fácil para levar um conforto espiritual para cinco prostitutas foi morar com elas. "Hoje minhas filhas estão fora daquela vida".

Outro fato citado pela freira é que durante suas visitas aos prostíbulos na madrugada suas filhas (tratamento dado por ela as profissionais do sexo), só atendem os voluntários depois que a religiosa é vista. Para ela existe uma relação de confiança "Quando eu chego, uma olha de longe com olhar assustado e diz para outras podem vir, é a nossa mãezinha!", disse a freira com um sorriso largo no rosto. 

 "O sorriso no rosto de uma pessoa atendida por mim", respondeu Cleobaldo Martins. Quando questionado sobre o seu trabalho em prol de moradores de rua, menores, catadores do lixão e indigentes brasileiros. Voluntário da Casa Lar de Jesus, Cleobaldo alega que maior eficácia do poder público nas políticas sociais minimizaria e muito a desigualdade social.

"Se nossos governantes ajudassem, principalmente investido em educação, o nosso Brasil seria melhor", cobrou Cleobaldo. O voluntário condenou os programas assistenciais do governo, segundo ele muitas famílias se acomodam com a renda certa todo final de mês. "É comum eu chegar em uma casa e pai e mãe estarem alcoolizados", disse.

Quanto aos moradores de rua, Cleobaldo faz um registro tenebroso sobre o futuro deles. "Eles estão com a alta estima baixa, envolvidos com drogas e arredios a qualquer mudança de vida", concluiu.

 

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PROSTITUIÇÃO PROVOCA POLÊMICAS

Veja os reflexos da não aprovação da lei que regulamentava prostituição no Brasil, saiba como as profissionais do sexo encaram a lei e a visão religiosa sobre o assunto.

Já se passaram cinco anos desde que o projeto de lei 98/2003, de autoria do deputado federal, Fernando Gabeira (PV-RJ), que propõe a regulamentação da prostituição no Brasil foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados. Apesar de o projeto ter tido parecer favorável, do relator deputado federal, Chico Alencar (PSOL-RJ), o que prevaleceu durante a votação foi o conservadorismo da Casa pelos demais membros da comissão. Na época o deputado Fernando Gabeira, justificou a propositura do projeto com a alegação de que a sociedade é hipócrita, porque execra e ao mesmo tempo financia o comércio do sexo. "O fato é que a atividade subsiste porque a própria sociedade que a condena a mantém. Não haveria prostituição se não houvesse quem pagasse por ela", afirmou Gabeira.

O deputado Chico Alencar concedeu seu parecer favorável seguindo e iniciativas de outras nações do mundo, citando, como exemplos, Holanda, Alemanha e Nova Zelândia. Para ele não haveria um favorecimento a prostituição com a aprovação da medida, como temia os demais deputados. "Não é pelo simples fato de se tornar lícita a atividade que se estará incentivando pessoas a aderirem à prostituição", defendeu Chico. Para a assistente social, Maria Borges, do projeto Flor de Pequi, caso a lei de Gabeira fosse aprovada, elas ficariam presas a uma empresa devido à carteira de trabalho, ficando a mercê de patrões e não garantindo liberdade para as trabalhadoras.   

Ela também destacou que se a proposta de regulamentação virasse lei, certamente seria mais fácil coibir as discriminações sofridas, principalmente por parte de policiais militares. Como a que aconteceu, quando ela e um grupo de profissionais que trabalham nas imediações do Terminal do Dergo, foram denunciar abusos cometidos por policiais da Rondas Ostensivas e Táticas (ROTAM). "Vocês não são gente, vocês são lixo", argumentaram os policiais segundo Maria Borges.  Para Kênia Firmino, profissional do sexo, a lei traria uma estabilidade financeira na velhice. "Eu pago INSS, mas tem muita gente que trabalha como eu e poderia registrar sua carteira como profissional", afirmou Kênia.

Contrárias ao projeto algumas instituições religiosas divergem sobre o assunto, tendo olhares e perspectivas diferentes quanto ao trabalho realizado pelo profissional do sexo. "A prostituição é um crime contra a família", afirmou Benedito Corrêa, teólogo formando pelo Instituto Bíblico Palavra da Vida (IBPV), membro da Igreja Assembléia de Deus. Segundo o teólogo, a busca pela prostituição é provocada por um desvio de conduta da pessoa que geralmente está afastada de Deus. Questionado se sua religião não esta na contramão do texto bíblico, em que Jesus, pregou o perdão e a tolerância a prostituta Maria Madalena, o teólogo foi categórico. "Jesus perdoou o pecado de Maria Madalena, mas ele veio ao mundo para salvar os ímpios e não os bons", conclui.

A Doutrina Espírita, não aprova, mas tem uma visão, mais tolerante do que a evangélica, sobre a atuação das profissionais. "Embora não aceite como atividade normal a prostituição, não censuramos e nem discriminamos a mulher de vida livre, que não deixa de ser nossa irmã", esclareceu Weimar Munzi de Oliveira, presidente da Federação Espírita de Goiás. Para o presidente a prostituição é fruto do ego do ser humano e até da necessidade financeira das pessoas. "A prostituição ainda existe como uma das conseqüências do egoísmo da maioria dos homens, eis que é a necessidade de sobrevivência e até mesmo a fome que levam muitas mulheres à prostituição.", finalizou Weimar Munzi.

 

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