Grava��es in�ditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio pol�tico para garantir sua elei��o, em 2006. Os di�logos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Pol�cia Federal com autoriza��o da Justi�a. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goi�s, � alvo de inqu�rito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da m�quina p�blica durante a elei��o.
Nos relat�rios, investigadores afirmam que os di�logos "demonstram a movimenta��o do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de d�vidas de campanha e compra de apoio pol�tico". A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goi�s.
As conversas sobre pend�ncias financeiras prosseguiram ap�s a elei��o. De acordo com a investiga��o, o senador teve de recorrer a empr�stimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.
"O "trem" seu todo d� uns quatrocentos?", pergunta Perillo, segundo o relat�rio. Oliveira responde que suas d�vidas j� somavam R$ 750 mil. Perillo, ent�o, diz que tem uma pessoa que vai "arrumar" parte do dinheiro. Em outra liga��o, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que n�o poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros pol�ticos: "Eu posso ajudar mais se voc� arrumar quem queira ajudar."
Ao ex-deputado N�dio Leite, que tamb�m lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria "resolver a totalidade ao inv�s de ser s� aquela parte". Ele pergunta se N�dio Leite, � �poca no PP, n�o sabia de algu�m que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.
As cobran�as se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, L�cio Fi�za. Num telefonema, de acordo com o relat�rio da PF, o ent�o deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato � reelei��o, cobra de L�cio um "caminh�o de arroz" . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o pr�prio Marconi lhe havia dito que "ontem ou hoje ia me passar".
O ent�o presidente da Uni�o de Vereadores de Goi�s, Wolmer Tadeu Arraes, tamb�m ligou para cobrar. Usando o telefone do comit� de Perillo, o tesoureiro Fi�za fala com um pastor evang�lico, identificado como C�sar. Diz que precisava marcar encontro para "encomendar umas ora��es". Em seguida, deixa de falar em c�digo. "Metade agora e metade na outra semana", afirma o tesoureiro ao pastor.
O senador foi gravado em conversas com ju�zes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma ju�za pede que Perillo interceda para evitar a transfer�ncia do marido, funcion�rio do governo. Em outro di�logo, � Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.
A investiga��o detalha o que a PF classificou como uso da m�quina p�blica na campanha. Assessores reservam avi�es e helic�pteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. H� registro, ainda, de voos para buscar Perillo em B�zios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram t�o frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: "Podem usar isso no futuro." A PF tamb�m acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua seguran�a pessoal. As grava��es foram autorizadas por uma ju�za do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goi�s e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.
OUTRO LADO
o Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lan�adas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da Rep�blica, que j� ajuizou den�ncia contra ele no STF. "Minha defesa est� 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos", afirmou. O senador diz que as conversas com pol�ticos sobre dinheiro referem-se a doa��es legais. "Pedi a empresas doa��es para v�rios candidatos, algumas viabilizaram, outras n�o, e por isso que eles ligavam cobrando". Ele nega o uso da m�quina. "Se usei avi�es do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador."
O ex-deputado N�dio Leite, nega ter vendido apoio pol�tico a Perillo em 2006 e diz n�o lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. "Tenho muita afinidade com ele", afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho n�o foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Ind�stria Qu�mica de Goi�s (Iquego), n�o deu retorno ao contato.



