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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

�A verdade � que a proposta do �novo� n�o deu certo�

Pr�-candidato do PMDB ao governo estadual, o prefeito Iris Rezende afirma que o teste de gest�o a que o grupo PP-PSDB � agora em crise � foi submetido ser� o trampolim para a volta dos peemedebistas ao Pal�cio das Esmeraldas. Em entrevista ao POPULAR, no Pa�o Municipal, Iris afirma que venceu as elei��es em Goi�nia em 2004 e 2008 porque a proposta do novo, feita pelo hoje senador Marconi Perillo (PSDB), �n�o deu certo� � em refer�ncia ao bord�o do tempo novo cunhado pelo tucano.


O governador Alcides Rodrigues tem dito que o �ndice de 73% de indecisos na
pesquisa Serpes/ O POPULAR, na consulta espont�nea, indica um espa�o para um projeto pol�tico eleitoral alternativo ao do PSDB e ao do PMDB. O senhor acredita que h� espa�o para isso em Goi�s?
Uma suposi��o, n�o gosto de falar em hip�tese, mas se amanh� me declarasse candidato a governador, n�o tenho d�vida de que aquela porcentagem de 40% que eu tenho l� viria para 50%, porque na verdade como voc� vai buscar (um resultado) numa manifesta��o espont�nea se eu nunca falei que sou candidato? Mas acho que tem campo para outros candidatos, sem d�vida. Disputei a prefeitura de Goi�nia em 2004 com mais sete postulantes e n�o ganhei no primeiro turno por uma diferen�a pequena. Acho que o n�mero de candidatos n�o prejudica, pelo contr�rio, d� oportunidade para uma discuss�o mais abrangente das quest�es que afligem o Estado.

Esse crescimento aconteceria tamb�m para Marconi Perillo (PSDB) se ele afirmasse que � candidato e, consequentemente, isso reduziria o espa�o para a terceira via?
Uma terceira via tiraria voto de onde? Do lado de l�. No momento em que o governador faz surgir essa terceira via, � para tirar alguma coisa do lado de c�. Mas ela (a candidatura) vai penetrar muito mais fortemente no terreno que tem sido comum deles, e agora, ao que parece, h� uma disposi��o de candidatura pr�pria. Sobretudo sob a lideran�a do PP e do governador.

O senhor acha que � poss�vel essa id�ia de terceira via em Goi�s? Pela experi�ncia que acumulou, existe espa�o em Goi�s para uma alternativa aos grupos que tradicionalmente se enfrentaram numa disputa eleitoral?
Ningu�m pode negar a lideran�a do governador, tanto � que ele chegou ao governo. � um pol�tico de tradi��o em Goi�s. Agora, eu o vejo em condi��o de liderar uma terceira via? Acho que sim, sobretudo na �rea em que ele est� integrado. No nosso terreiro, o avan�o ser� pequeno.

Por que, prefeito?
Porque ele foi sempre ligado �s for�as de l�.

Segundo a pesquisa Serpes, o governo de Alcides � considerado bom e �timo por cerca de 34% das pessoas. Um governo essa imagem consegue reunir for�a pol�tica suficiente para construir um projeto eleitoral alternativo?
Tem, indiscutivelmente. Ele (Alcides) tem sido um chefe de governo humilde, esfor�ado e, embora em pequena dosagem, tem mostrado ao Estado que a situa��o do governo que ele recebeu era a mais prec�ria poss�vel. Ent�o tudo isso d� a ele condi��es para um bom desempenho eleitoral.

Prefeito, se o senhor fosse pesquisado pelo Serpes, como avaliaria o governo de Alcides: �timo, bom, regular, ruim ou p�ssimo?
Na minha condi��o eu diria que tenho que avaliar o governo levando em conta a situa��o em que ele recebeu o Estado � segundo a gente vai pin�ando pela pr�pria imprensa, pelas declara��es do governador e dos pr�prios auxiliares � ele recebeu um Estado arrebentado, a Celg falida, Saneago em dificuldades profundas, um d�ficit de R$ 100 milh�es por m�s. Se ele tivesse recebido um Estado em situa��o boa e tivesse feito o que tem feito, a minha nota n�o seria de governo bom. Mas, levando em conta a situa��o do Estado que ele recebeu, e ele tem conseguido um desempenho razo�vel, ent�o a minha nota � maior, porque quem milita na pol�tica, quem conhece administra��o p�blica como eu conhe�o, tem de levar em conta a situa��o do Estado que ele recebeu. E, segundo consta, foi de uma situa��o prec�ria.

O senhor tem dito que a pr�xima elei��o ser� muito apaixonante...
Vai ser uma elei��o emocionante porque vai ficar mais nas m�os do eleitor do que de lideran�as, porque normalmente quem dita comportamento social numa �poca de elei��o � o l�der. Por que a pr�xima elei��o ser� diferente? � porque � o pr�prio povo quem vai definir quem � o melhor, porque ele conhece os dois. Hoje n�s temos tr�s for�as pol�ticas: o PMDB e os seus partidos aliados; o governo do PP e os seus partidos aliados; e o PSDB com os seus partidos aliados. L� no PSDB, a lideran�a maior, indiscutivelmente, � o senador Marconi; no PP � o governador Alcides, e no PMDB � esse grupo a� que vem se colocando na oposi��o desde que perdemos a elei��o para governador em 1998. Bem, ent�o o povo conhece hoje de sobra Iris e os seus companheiros. Conhece de sobra Marconi e os seus companheiros. Conhece de sobra Alcides e os seus companheiros. Ent�o, vai ser f�cil demais para o povo definir. Demais.

Na sua opini�o, o que o eleitor vai levar em conta para se definir por um por um desses projetos eleitorais? Qual ser� o discurso, qual o mote da campanha do ano que vem?
Compet�ncia administrativa. Sistema de administrar. Responsabilidade, sobretudo na condu��o dos neg�cios p�blicos. Ent�o, a hora em que come�ar a campanha, forem definidos os candidatos, voc� vai notar. N�o vai adiantar propaganda bonita, o povo n�o vai se deixar enganar, o cidad�o vir e oferecer 400 mil casas, 200 mil empregos, n�o adianta isso mais. �Vou asfaltar o mundo, vou fazer isso, aquilo�, n�o vai (adiantar prometer). Como � que vou falar de uma coisa se ocupei o governo e n�o dei conta? Por que � que agora vou dar conta, por que agora vou fazer? Ent�o, � o conhecimento que o povo tem desses l�deres. Quando fui candidato em 1982, o primeiro item era de que o Iris representava a rea��o a um sistema de arb�trio implantado no Pa�s. Valeu um pouco o meu comportamento como prefeito de Goi�nia, quando fui cassado. Hoje o povo sabe qual � o sentimento que cada um tem com as classes mais sofridas. � a viv�ncia que cada um (candidato) tem na pol�tica que vai fazer o povo abra��-lo ou desped�-lo.

Na elei��o de 1982, o senhor era um representante da luta contra o arb�trio e tinha uma imagem de administrador em Goi�nia. Em 1990, defendeu a reconstru��o do Estado em crise no final do governo Santillo. Em 1998, defendeu a imagem dos governos do PMDB e o povo optou pelo novo, pela mudan�a. Agora...
O povo acostumou com obras, com tudo.

Pelo que est� falando, a marca do PMDB continua sendo a de construtor de obras. O que vai diferenciar o discurso de agora daquele de 1998?
Constru��o de obras, valoriza��o da pessoa humana, a compet�ncia de gest�o... Por que voc� acha que fui eleito prefeito em Goi�nia h� cinco anos? Foi pelo conhecimento que o povo de Goi�nia tinha do meu comportamento em frente � administra��o. Foi por isso. Quando eu decidi pela candidatura a prefeito, j� haviam sete postulantes. Fui o oitavo. E voc� veja bem que, no segundo turno, se juntaram todos contra mim. O presidente Lula apoiou o Pedro Wilson, porque era o candidato do seu partido. O governador Marconi apoiou publicamente em caminhada o seu candidato. N�o adiantou nada. Por qu�? Porque eu j� era conhecido. E o novo j� n�o deu certo. A verdade � essa. O novo em Goi�nia n�o deu certo. Ent�o, esse processo vai repetir, eu acredito. Agora, n�o quero dizer em termos de nome, mas em termos de for�as pol�ticas, como � que essas for�as se comportam na administra��o. Goi�nia n�o deixa de ser um espelho. O povo est� notando qual o comportamento dessas for�as com o poder nas m�os. � uma situa��o bem diferente, bem especial.

O PSDB construiu a imagem de que fez uma administra��o modernizadora. N�o � um partido de obras, mas fala em uma gest�o de moderniza��o do Estado e tamb�m de preocupa��o com o ser humano, com investimentos na �rea social. O senhor n�o acha que esse � um discurso forte para contrapor ao do PMDB?
O povo quer resultados. Muita propaganda se fez. Que inova��o experimentamos? Foi na �rea da inform�tica, com o avan�o da inform�tica em todo o mundo. O governo tinha de aproveitar todo esse potencial que tinha �s suas m�os. Bem, mas e o social? Onde ficaram as casas populares que anunciaram naquela �poca? N�o sei.

Mas e as conquistas sociais, como distribui��o de renda por meio de programas como Renda Cidad�?
N�o, espera a�! A primeira preocupa��o com o social tem de envolver a fam�lia, a moradia. Tem de envolver um bom ensino, boa sa�de, desenvolvimento. Porque pensar em social n�o � simplesmente distribuir esmola. Pensar em social � valorizar, dar oportunidade para a pessoa se desenvolver. E � isso que estamos fazendo na Prefeitura de Goi�nia, sem barulho, sem publicidade. Hoje a popula��o de Goi�nia � feliz. Claro que numa popula��o de um milh�o de habitantes voc� n�o p�e 100% (das pessoas) felizes. Mas, de modo geral, a autoestima do goianiense est� alta, levantou, se agigantou. De conversa e publicidade, o povo anda cheio. Por isso eu digo: todos s�o conhecidos. Alguns prometeram e n�o fizeram. Essa � a grande verdade.

Uma das for�as, o PSDB, est� se preparando para se colocar na oposi��o ao governo do Estado. O senhor acha que a entrada do PSDB na oposi��o vai complicar o discurso do PMDB?
Eu at� me reservaria para fazer uma avalia��o dessas num futuro, n�o hipoteticamente. Estou pagando para ver o comportamento dessas for�as em rela��o ao governo estadual, porque acho at� que isso vai dar ensejo ao pr�prio governo, se isso acontecer, de abrir a caixa-preta que at� muita gente desconhece. Apenas sei que o governador encontrou o Estado numa situa��o dif�cil, com d�ficit de R$ 100 milh�es, mas a caixa-preta n�o se abriu. Por que o Estado chegou a essa situa��o? O povo n�o sabe e precisa saber. E a campanha vai incendiar isso. O que levou o Estado a essa situa��o? Naquela �poca n�o existia ainda crise internacional que passamos a experimentar no �ltimo ano. Ent�o h� muita coisa a� a se discutir.

O senhor acha que, por isso, o PSDB vai ficar neutro na rela��o com o governo?
Tem de perguntar isso para eles. Eu sei qual a posi��o que n�s vamos tomar. Essa eu posso dizer, com o incentivo dos companheiros todos.

N�o h� risco de o PSDB romper com o governo e sobrar para o PMDB a responsabilidade de apoiar esse governo, a governabilidade e at�, l� na frente, justificar esse governo?
O PMDB tem de ter um comportamento exemplar como sempre procurou ter. N�o podemos trazer a pol�tica para um n�vel que prejudique os interesses populares, do Estado. O PMDB nunca reivindicou um cargo no governo Alcides, e tem dado apoio. Por qu�? � o esp�rito p�blico que norteia nossos sentimentos. O PMDB nunca apoiou o governador, nem apoiaria se por acaso chegasse a� uma mensagem consolidando interesses de terceiros, interesses pessoais. O governador tem sempre encaminhado (� Assembleia) projetos do interesse do governo e, assim, o PMDB n�o deixar� de apoiar mesmo em �poca eleitoral. N�o precisamos adotar o caminho do �quanto pior melhor�, porque temos hist�ria. Se o jovem n�o sabe o comportamento do PMDB, o pai dele e o av� sabem.

 

 

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