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S�bado, Agosto 29, 2009

Dilma na quarentena

A candidatura Dilma Roussef est� fechada para balan�o. O desgaste provocado pelo embate com a ex-secret�ria da Receita Federal, Lina Vieira, que resultou em crise e demiss�es em cascata naquela estrat�gica reparti��o, superou as estimativas do governo.

Constata-se que houve uma sucess�o de inabilidades pol�ticas, a que o pr�prio Lula deu sua contribui��o � e que contribui��o! -, ao envolver-se diretamente no bate-boca, desafiando a ex-secret�ria a exibir sua agenda. Em pol�tica, primeiro escal�o n�o polemiza com o terceiro: pune ou silencia.

Ao profanar essa regra, Lula deu ao caso a dimens�o pol�tica que est� tendo � e que, em circunst�ncias normais, n�o teria. Se a interven��o de Dilma j� era excessiva, e desnecess�ria, imagine-se a do presidente da Rep�blica. Na sequ�ncia, houve o depoimento de Lina no Senado e a desastrada interven��o do Gabinete de Seguran�a Institucional, sustentando a inexist�ncia no Pal�cio de registros de visitas havidas h� mais de um m�s, o que � tecnicamente question�vel, para n�o dizer improv�vel.

O resultado � o desgaste, pol�tico e moral, que tem gerado enormes preocupa��es dentro do PT. Figuras de alto coturno do partido questionam a candidatura de Dilma, que, antes mesmo da pol�mica, j� n�o entusiasmava.

Dilma, na verdade, foi (e �) uma inven��o pessoal de Lula. N�o seria jamais cogitada espontaneamente pelo partido, por n�o reunir as condi��es b�sicas para tal. Antes de mais nada, n�o se trata de uma petista hist�rica. Dilma � egressa do PDT, n�o tem perfil pol�tico e � vista t�o-somente como uma t�cnica, sem carisma e sem simpatia pessoal.

Com toda a exposi��o p�blica que ganhou por meio de Lula, comparecendo h� meses a todos os lan�amentos do PAC em todo o pa�s, n�o conseguiu aproximar-se nas pesquisas do governador de S�o Paulo, Jos� Serra, que ainda n�o se lan�ou candidato, nem se exp�s em viagens nacionais.

Como se n�o bastasse, exp�s-se, ao longo do tempo, a sucessivos desgastes, como o epis�dio do dossi� contra o ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher, dona Ruth Cardoso, e o caso da incorre��o de seu curr�culo, que a dava indevidamente como mestra e doutora em economia.

Para agravar o quadro, a senadora Marina Silva deixou o partido e ser� candidata pelo PV, o que amea�a o principal ativo eleitoral de Dilma: sua condi��o feminina. Nesse quesito, Marina Silva apresenta trunfos mais sedutores: uma biografia rica, semelhante � de Lula, acrescida de ingredientes mais glamourosos, como o de ser negra, ter superado j� adulta a condi��o de analfabeta e de n�o portar m�cula em sua trajet�ria pol�tica.

Lula, mesmo assim, ainda aposta na sua ministra. Entende que a fervura pol�tica a que se exp�s � passageira, circunscreve-se a um p�blico limitado e em breve estar� superada. Por isso mesmo, decidiu que a deve manter � dist�ncia do burburinho, em quarentena. E � como est�. A oposi��o, por�m, n�o pensa em largar o caso.

Quer lev�-lo �s �ltimas conseq��ncias, insistindo em que o Planalto, tendo em vista os termos do contrato com a empresa respons�vel pelo registro de imagens de visitantes � que prev� guarda de seis meses dos registros e posterior backup -, forne�a as informa��es que nega possuir. Pode n�o dar em nada (e n�o dar�), mas prorroga a exposi��o do caso. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o sucessor de Lina na Receita, Otac�lio Cartaxo, com declara��es desastradas, auxiliam nessa estrat�gia.

N�o h� d�vida de que o caso chegar� aos palanques da campanha do ano que vem, se Dilma for mesmo a candidata. Embora n�o haja outro nome dispon�vel, nem Lula d� sinais de que recuar�, j� h� d�vidas. O PT vive o paradoxo de possuir um presidente popular�ssimo, num governo com alto �ndice de aprova��o, sem um nome capaz de capitalizar esse patrim�nio eleitoral.

O balan�o a que a candidatura Dilma est� submetido embute a discuss�o em torno de nomes alternativos. Pretendentes a substitu�-la, n�o faltam. Falta, sim, um nome consistente, capaz de agradar a Lula, ao alto comando do partido e, sobretudo, ao eleitor. Lula, que precipitou a campanha ao lan�ar Dilma antes mesmo que a legisla��o eleitoral o autorizasse, v�-se for�ado pelos fatos a perder a pressa.

O processo, por�m, n�o recua. Serra, esta semana, pela primeira vez, admitiu formalmente que � candidato, enquanto Ciro Gomes e Marina Silva j� falam nessa condi��o.

 

 

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