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Segunda-feira, Julho 06, 2009

Op��o pol�tica de alto risco

O futuro do presidente do Senado, Jos� Sarney permanece indefinido, apesar do sorriso aberto, pr�prio de pessoas que se sentem amparadas, que ele exibiu na sa�da do encontro com o presidente Luiz In�cio Lula da Silva, sexta-feira. Com o apoio do PT, Sarney tem a maioria de que precisa para continuar no comando, mas os partid�rios de sua sa�da acreditam que a for�a que adquiriu na conversa com Lula poder� n�o resistir ao surgimento de novas den�ncias.

E pelo jeito Sarney n�o ter� sossego. Na mesma sexta, ele enfrentou mais uma den�ncia, a revela��o de que possui uma casa de R$ 4 milh�es em Bras�lia que n�o declarou � Justi�a Eleitoral. No fim de semana, a Folha de S. Paulo e a revista �poca publicaram mais revela��es sobre o ex-todo poderoso Agaciel Maia. O inferno de Sarney come�ou em 1� de mar�o, quando se tornou p�blica a exist�ncia da casa de Agaciel em Bras�lia, n�o declarada ao Imposto de Renda, avaliada em R$ 5 milh�es. Desde ent�o, as den�ncias foram se sucedendo e nada garante que a chegada do recesso de julho devolver� a tranquilidade � vida de Sarney.

A possibilidade de sua ren�ncia ou de sua licen�a, colocou o senador Marconi Perillo (PSDB) no olho do furac�o. Vice-presidente do Senado, ele � o primeiro na linha de sucess�o e pode ter de assumir caso o cai-n�o-cai de Sarney volte a pender novamente para fora da cadeira de presidente.

N�o � segredo que o presidente Lula n�o morre de amores por Marconi. O estremecimento entre eles aconteceu em junho de 2005, quando Marconi declarou � imprensa que tinha alertado Lula um ano antes sobre a exist�ncia do suposto mensal�o.

Em dezembro de 2007, durante a vota��o no Senado da prorroga��o da CPMF, o governador do Distrito Federal, Jos� Roberto Arruda (DEM), levou Marconi para uma conversa com Lula. Era o primeiro encontro reservado entre eles depois do constrangimento do mensal�o. Lula saiu do encontro convencido de que Marconi seria seu interlocutor entre os tucanos. Mas o que se viu em seguida foi seu discurso contundente no plen�rio contra a CPMF.

Os efeitos da contrariedade de Lula com Marconi podem ser percebidos na articula��o que o PT ajudou a construir para promover o afastamento do PP do governador Alcides Rodrigues com o PSDB de Marconi. Obviamente n�o foi isso que levou Alcides a se afastar de Marconi, mas a ajuda do governo federal e de seu PT foi fundamental para o governador criar seu pr�prio grupo pol�tico, afastando-se dos tucanos.

Na semana passada, Marconi sentiu novamente a m�o de Lula. �� importante para o DEM e o PSDB, que querem que ele (Sarney) se afaste para o Marconi Perillo assumir, o que n�o � vantagem para ningu�m. A �nica vantagem � para o Marconi Perillo e para o PSDB que querem ganhar o Senado no tapet�o�, reagiu Lula � poss�vel ren�ncia ou licen�a de Sarney. O presidente n�o quer correr o risco de ter no comando do Senado, mesmo que por poucos dias, um senador em quem n�o confia. Ainda guarda na mem�ria a recente cria��o da CPI da Petrobras, que s� saiu do papel no dia em que Marconi presidia a sess�o em substitui��o ao presidente Sarney.

O governo federal � um forte obst�culo � ascens�o de Marconi � presid�ncia do Senado, mas n�o o �nico. Ele tamb�m come�ou a sentir a for�a da m�dia, que n�o dar� moleza para um prov�vel novo presidente da Casa, assim como n�o deu a outros presidentes com muito mais for�a pol�tica do que Marconi, caso do pr�prio Sarney.

Nos dias em que a poss�vel ren�ncia de Sarney parecia que ia se confirmar, Marconi viu seu nome em v�rias reportagens levantando suspeitas em seus governos em Goi�s. O site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, relembrou tr�s processos existentes no STF contra Marconi e ironizou sua idoneidade moral.

Reportagem do jornal O Globo de quinta-feira tamb�m foi atr�s dos tr�s processos, oferecendo um aperitivo do que poder� virar a vida do senador goiano caso ele realmente chegue � presid�ncia do Senado, mesmo que fique apenas por cinco dias no cargo, prazo previsto no regimento interno para o vice convocar nova elei��o no caso de ren�ncia do titular.

Marconi sabe do alto risco para sua carreira, em especial neste momento em que recomp�e sua base pol�tica e trabalha junto a lideran�as para restaurar sua imagem, arranhada pelos alcidistas, mas tem dado demonstra��o de que quer correr o risco.

A visibilidade e o poder de um presidente do Senado s�o muito atraentes para qualquer pol�tico, mesmo que o �nus de ter sua vida devassada venha embutido no cargo. Marconi est� decidido a enfrentar esses obst�culos, caso a presid�ncia do Senado caia em seu colo. Acha que construiu sua carreira enfrentando desafios e que se firmou politicamente no confronto, vide a disputa eleitoral de 1998.

Uma decis�o de risco, pois ele tanto pode se fortalecer � Marconi pensa em tomar medidas dr�sticas caso chegue � presid�ncia, mexendo no vespeiro que � a estrutura administrativa da Casa � como pode se ferir seriamente, com reflexos diretos na sua candidatura a governador em 2010. Como diz o ditado popular, �o risco que corre o machado, corre o pau�.

 

 

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