
As dificuldades financeiras da Celg comprometeram a capacidade de investimentos do Estado em R$ 272 milh�es desde outubro do ano passado. � que a companhia repassou apenas parte do ICMS devido ao Tesouro, acumulando a d�vida em valor que representa 36,2% da receita mensal do Estado.
Se a salva��o para a empresa n�o sair at� o final do ano, o governo prev� preju�zo n�o s� aos investimentos como tamb�m em pagamentos da folha. �Se a situa��o se mantiver assim at� dezembro, o governo passa a ter problema. Por isso meu desespero em buscar solu��o. Isso afeta a sobreviv�ncia do Estado�, disse ontem ao POPULAR o secret�rio estadual da Fazenda, Jorcelino Braga.
O governo planejou no ano passado, ap�s o fim do d�ficit mensal de R$ 100 milh�es, reservar uma m�dia de R$ 40 milh�es por m�s para investimentos. No m�s passado, foi exatamente este o valor que a Celg deixou de pagar de ICMS. A companhia tem de repassar uma m�dia de R$ 70 milh�es por m�s de imposto, o que representa 10% da receita tribut�ria do Estado.
Braga reafirmou que a crise financeira mundial paralisou o processo de negocia��o da Celg com bancos, que previa a amplia��o dos prazos de pagamento da d�vida. Foi um golpe no planejamento do governo, que teve de canalizar para a Celg o que havia reservado para investimentos. �Hoje a companhia se socorre ao Tesouro�, diz o secret�rio.
Para compensar a perda com ICMS, Braga afirma que o governo tem investido em a��es para evitar perdas de receita. �Fazemos um trabalho pesado de evas�o fiscal e ampliamos a carteira negociada de R$ 44 milh�es para R$ 600 milh�es�, exemplificou.
Em rela��o �s despesas, Braga disse que o corte poss�vel j� foi feito na reforma administrativa. Ele ressalta, por�m, a dificuldade de controlar os gastos com a folha, citando o exemplo do aumento gradativo do piso dos professores. S� neste ano, o impacto no folha do funcionalismo ser� de R$ 550 milh�es.
Por conta da demora na negocia��o de empr�stimo de R$ 1,35 bilh�o do Banco de Desenvolvimento Econ�mico e Social (BNDES) � a previs�o do governo � que dure mais seis meses �, Braga anunciou na quarta-feira que tenta junto � Eletrobr�s uma negocia��o de pagamento da d�vida vinculada � libera��o do valor pelo banco. Na ocasi�o, ele disse que a inadimpl�ncia � com o consequente impedimento de reajuste da tarifa e de repasse de recursos da Uni�o � vai �matando� a Celg.
A classifica��o de risco (rating) do Estado � um novo entrave para a libera��o do empr�stimo por parte do BNDES. O governo federal aponta risco de inadimpl�ncia por parte do governo estadual por conta do hist�rico financeiro. O secret�rio anunciou que o Estado pediu � Secretaria do Tesouro Nacional nova an�lise desta nota de risco.
Hoje dois representantes do governo estadual ter�o audi�ncia no BNDES para explicar detalhes do balan�o das contas do ano passado. A ideia � mostrar ao banco o esfor�o da atual gest�o em equilibrar as contas. Na pr�xima segunda-feira, Braga voltar� ao BNDES para pedir agilidade na an�lise e ter� audi�ncia na Eletrobr�s para entregar pedido oficial da negocia��o do pagamento das d�vidas.
Contas
O presidente da Celg, Carlos Silva, confirmou ontem a d�vida do ICMS, mas disse tamb�m que a companhia espera receber recursos devidos por empresas � Metrobus, Iquego, Agehab e Saneago � e outros �rg�os do governo. �Estamos tentando pagar, com um sacrif�cio enorme, parte das d�vidas do ICMS e os fornecedores�, afirmou o presidente, em entrevista � r�dio CBN Goi�nia. Carlos Silva j� disse que o d�ficit mensal da empresa � de R$ 70 milh�es.
Braga explicou que est� em andamento um estudo do encontro de contas da Celg e do Estado. O secret�rio estima d�vida de cerca de R$ 100 milh�es do Tesouro com a companhia. Segundo ele, ap�s o fechamento da an�lise, haver� a compensa��o deste valor na d�vida de ICMS.
O governo baixou um decreto no m�s passado determinando que a Sefaz controle todas as despesas de energia e �gua do Estado. �Assim, vamos evitar a inadimpl�ncia e esse tipo de d�vida acumulada�, esclareceu o secret�rio.
Al�m do acerto com o Estado, a Celg negocia tamb�m a repactua��o da d�vida dos munic�pios.
PDV
Carlos Silva disse ontem que j� solicitou � diretoria administrativa e ao Recursos Humanos da Celg o estudo de um plano de demiss�o volunt�ria e de concurso para substitui��o. Ele reafirmou, por�m, a preocupa��o com a sa�da de importantes funcion�rios.


