
Com a bandeira branca na m�o. Essa tem sido a imagem que o senador Marconi Perillo (PSDB) tem passado a aliados, ex-aliados e at� advers�rios. N�o s� a imagem. � assim que o tucano tem agido, especialmente depois de ser empossado na 1� vice-presid�ncia do Senado. Os primeiros sinais de paz vieram com com encontros com os deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Sandro Mabel (PR), considerados desafetos (Leia mais na p�gina 3 ). Na �ltima quarta, 11, o senador tucano recebeu a equipe da Tribuna do Planalto em um almo�o no gabinete da vice-presid�ncia. Poucas horas antes, havia recebido o colega A�cio Neves, governador de Minas Gerais em seu gabinete. "Ele veio fazer uma visita de cortesia", contou. No mesmo dia, o senador goiano tamb�m havia se encontrado com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com quem diz ter falado apenas sobre economia. Apesar de rec�m-ocupada, a sala j� est� decorada com v�rios quadros das imagens da Cidade de Goi�s e Piren�polis, cidade onde o senador prefere passar seu maior tempo de descanso. Nesta entrevista, Marconi avalia o cen�rio econ�mico e o governo Lula, critica a reforma tribut�ria e diz que tem feito e vai fazer tudo para ver a base aliada unida novamente.
Anapaula Hoekveld, Eduardo Sartorato e Elizeth Ara�jo
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Tribuna do Planalto - Qual a import�ncia desse cargo, 1� vice-presid�ncia do Senado, para o Estado de Goi�s?
Marconi Perillo - Em primeiro lugar este cargo, esta fun��o d� visibilidade ao parlamentar, e naturalmente d� visibilidade ao Estado de origem do parlamentar. � um cargo relevante, sobretudo se considerarmos que o presidente Jos� Sarney vai compartilhar comigo muitas das a��es e muito dos compromissos da fun��o de presidente da Casa. Em segundo lugar, � uma fun��o importante porque, certamente, a partir dela, eu terei oportunidade de presidir in�meras sess�es deliberativas, porque uma coisa s�o as sess�es n�o-deliberativas, de discurso apenas. Outra coisa s�o as sess�es deliberativas, com ordem do dia, com pauta de projetos que s�o deliberados. E essas s�o as sess�es mais importantes. Na aus�ncia do presidente, apenas o primeiro vice-presidente pode presidir essas sess�es de car�ter deliberativo, porque s�o sess�es que deliberam sobre propostas de emenda � Constitui��o, Medidas Provis�rias, Projetos de Lei Complementar, entre outras mat�rias. Tamb�m existe o Conselho de L�deres, que eu quero estar participando sempre que poss�vel dessas reuni�es do Conselho. Al�m disso, estar representando o Senado aqui no Brasil em muitos eventos, em muitas discuss�es, f�runs e tamb�m fora daqui. Ent�o, as atribui��es s�o in�meras. Al�m de compartilhar com o presidente dessas responsabilidades, ainda existe tamb�m a responsabilidade de participar semanalmente de todas as reuni�es da Mesa Diretora, que define o cronograma de vota��es, que define toda a condu��o, toda sistem�tica de administra��o do Senado Federal.
Como o sr. pretende conciliar este trabalho no Senado, que vai ser duro, com as fun��es pol�ticas em Goi�s? O senhor n�o teme abandonar suas bases?
Olha, eu vou utilizar naturalmente o tempo dos finais de semana, feriados e o tempo que efetivamente me sobrar das atribui��es daqui que, como eu disse, s�o in�meras. Mas eu pretendo, nos momentos dispon�veis, continuar visitando munic�pios, participando de cerim�nias em Goi�nia ou onde elas ocorrerem, e para as quais eu for convidado. � claro que esta fun��o limita muito. Ontem mesmo (ter�a, 10) eu gostaria de ter acompanhado o governador na inaugura��o de uma pequena usina hidrel�trica. N�o pude, em fun��o dos compromissos aqui no Senado. Na sexta-feira (13 de fevereiro) eu gostaria tamb�m de acompanhar o governador na inaugura��o importante de uma rodovia, que foi iniciada no meu governo, mas n�o vou poder em fun��o de compromissos. Agora, de qualquer maneira, sendo poss�vel, eu conciliarei as fun��es de senador e de 1� vice-presidente da Casa com as fun��es pol�ticas e outras fun��es.
Qual a marca que o sr. pretende deixar na 1� vice-presid�ncia?
� a marca da assiduidade, do dinamismo, do interesse pelo resgate da imagem da Casa e muito trabalho, muito trabalho, presidindo as reuni�es, votando as mat�rias, colaborando para que haja celeridade, transpar�ncia, desburocratiza��o, enfim, colaborando para que o Senado possa cumprir a sua fun��o constitucional de discutir, deliberar, votar, aprovar ou rejeitar mat�rias de interesse p�blico, aprimorando a legisla��o em todos os seus aspectos, atrav�s dos projetos de iniciativa da Casa ou atrav�s de projetos de iniciativa dos outros poderes.
O cargo do sr. e mais os cargos dos outros parlamentares e mais a rela��o do governador Alcides Rodrigues como o governo federal, representam um novo momento no Estado de Goi�s hoje?
Eu n�o tenho d�vidas. H� dez anos quando cheguei ao governo eu tinha clareza meridiana em rela��o � import�ncia de Goi�s buscar novos espa�os, de se inserir qualitativamente no cen�rio nacional e internacional e brigar para conseguir os espa�os que j� eram e que hoje s�o mais evidenciados de espa�os nossos, que deveriam e devem continuar sendo conquistados pelos goianos. Goi�s deixou h� muito de ser uma prov�ncia atrasada. Goi�s � hoje um dos Estados mais modernos do Brasil, � um dos Estados mais ricos e mais adiantados do ponto de vista cient�fico, tecnol�gico, cultural, educacional e tamb�m na �rea da sa�de, dentre outras. � um Estado que, especialmente nesta �ltima d�cada, agregou muito valor �s suas mat�rias-primas e com isso conseguiu melhorar ainda mais a sua performance em termos de PIB e tamb�m de PIB industrial, renda per capita, exporta��es, melhoria de todos os indicadores sociais, como o IDH, mortalidade materno-infantil, pobreza, etc. Ent�o, nestes �ltimos anos, o Estado de Goi�s melhorou muito, e isso se deu gra�as a essa fase nova, a essa realidade nova que garantiu e continua garantindo forte visibilidade ao Estado, forte respeito por parte de todos os atores pol�ticos, econ�micos, sociais no Brasil. Os n�meros que Goi�s apresentou nos �ltimos anos foram muito expressivos tanto que Goi�s hoje, do ponto de vista econ�mico, do ponto de vista social, j� � um Estado respeitado, que goza de grande credibilidade e � medida que n�s ocupamos espa�os pol�ticos aqui, esta visibilidade, esta envergadura aumenta tamb�m de forma exponencial.
Ent�o, como o sr. avalia o governo Alcides Rodrigues?
Avalio de forma positiva. O governador Alcides Rodrigues tem procurado dar sequ�ncia a muitos dos programas que n�s come�amos juntos, trabalha para buscar desenvolver o Estado em bases, em pol�ticas econ�micas saud�veis e procura desenvolver o seu governo com vistas a cumprir os seus compromissos de campanha.
Como o sr. avalia as a��es do governo Lula diante do momento em que o Pa�s est� passando e frente a crise financeira internacional?
A crise internacional � forte. � a maior crise ap�s a crise de 1929, talvez at� maior. � uma crise que j� trouxe reflexos negativos para praticamente todas as regi�es do mundo, todos os pa�ses do mundo. Alguns sofreram e sofrem mais com a crise, outros sofrem menos. O Brasil, ao longo de mais de uma d�cada definiu os fundamentos macroecon�micos muito s�lidos e isso iniciado j� no governo Fernando Henrique e que teve sequ�ncia na gest�o do presidente do Banco Central, o goiano Henrique Meirelles. Esses fundamentos foram importantes para que o Pa�s pudesse atingir uma maturidade econ�mica forte para que tamb�m pudesse garantir uma pol�tica de equil�brio fiscal respeitada por todos, e isso se deve em grande parte n�o s� �s metas de infla��o, �s metas do Banco Central, Minist�rio da Fazenda, mas tamb�m � Lei de Responsabilidade Fiscal que, na minha opini�o, significa um paradigma novo para o Pa�s, do ponto de vista de gastan�a, de dinheiro p�blico. Esta lei limita hoje principalmente a gastan�a dos Estados e munic�pios. Agora, � claro que vamos depender muito do cen�rio externo para saber se a crise vai se agravar mais ainda ou menos no curso deste ano. N�o d� para saber se a crise j� est� passando, ou se j� est� amortecida, ou se j� est� atenuada. Eu creio que o governo do Brasil demorou um pouco para tomar algumas medidas para combater a crise, principalmente para reduzir os impactos da crise nos empregos, na redu��o da atividade econ�mica, por�m medidas foram tomadas e gra�as a esta estabilidade econ�mica o Brasil sofreu menos. Agora, de qualquer maneira, vamos depender muito do que vai ocorrer no mundo, especialmente nos Estados Unidos e Europa daqui para frente. Se n�o tivermos uma piora em rela��o � crise em alguns pa�ses do mundo, por certo a tend�ncia aqui � de estabiliza��o.
O presidente Fernando Henrique tem cobrado publicamente um posicionamento de oposi��o maior do PSDB em rela��o ao governo Lula. Como o senhor vai conduzir esse papel de oposi��o estando � frente da 1� vice-presidente?
� preciso lembrar que uma coisa � o cargo executivo de dirigente da Casa e outra coisa � a minha postura como cidad�o e de senador de oposi��o. N�s vamos continuar cobrando pol�ticas p�blicas s�rias, corretas, que efetivamente possam garantir ao Brasil crescimento com sustentabilidade, pol�ticas de inclus�o, de combate �s distor��es regionais. Melhorias significativas nas �reas que s�o fundamentais na vida das pessoas, como a sa�de, que passa por uma situa��o dif�cil, delicada, seguran�a p�blica, habita��o, saneamento b�sico, educa��o e etc. O presidente Fernando Henrique tem toda raz�o. No processo eleitoral n�s fomos colocados pela popula��o no campo da oposi��o, � medida que perdemos o governo e, como tal, devemos ser coerentes. Eu combato sistematicamente a pol�tica do fisiologismo, do adesismo. Isso n�o combina com o PSDB. N�s temos coer�ncia com aquilo que pregamos, com aquilo que fazemos. � comum, em v�rios outros partidos, perder a elei��o presidencial ou governamental e seus parlamentares procurarem espa�os especialmente junto �queles que venceram, ent�o no governo. Esse n�o � o nosso caso. Se estamos no governo procuramos governar com compet�ncia, com efici�ncia, com honestidade. Se estamos na oposi��o, n�o procuramos aderir a quem est� no governo.
Como o sr. v� esta alta popularidade do presidente Lula, apesar da crise e de todos os problemas que o governo tem enfrentado?
O presidente Lula tem uma a��o midi�tica hoje muito forte. Se voc� liga a televis�o todos os dias voc� assiste �s propagandas ininterruptas da Caixa Econ�mica, do Banco do Brasil, da Petrobras e de v�rios �rg�os do governo. Ent�o, em primeiro, uma a��o de m�dia muito forte. Em segundo, ele � uma pessoa que tem um poder de comunica��o, principalmente em rela��o �s massas. Em terceiro lugar, h� alguns fact�ides, como o PAC (Programa de Acelera��o do Crescimento). Isso acaba transformando a �urea do presidente numa �urea vencedora aos olhos da opini�o p�blica. Como grande parte dos �rg�os de comunica��o recebe esta avalanche de publicidade, de m�dia, � oposi��o sobra muito pouco em termos de questionamento, de cr�ticas e, sendo assim, a opini�o p�blica acaba ficando tamb�m muito desguarnecida em termos de n�meros, de dados, de informa��es para poder fazer uma avalia��o mais isenta, mais apurada.
Nisso o senhor n�o se acha parecido com ele porque tamb�m investiu e investe muito em m�dia?
Na verdade, esta quest�o da m�dia influencia, sim, na popularidade. Isso � uma grande verdade. Agora, � preciso ver como voc� faz, qual o n�vel de m�dia que se adota. N�s faz�amos campanha n�o no dia-a-dia, faz�amos campanhas peri�dicas. Tinha uma a��o para ser apresentada, tinha um resultado a ser mostrado, n�s apresent�vamos � sociedade. Agora, a que estou me referindo � a uma m�dia mais intensiva, no sentido do bombardeio mesmo. N�s temos m�dia todos os dias, al�m do que o presidente comunica bem com a popula��o. � a capacidade de comunica��o dele que � muito forte. E, mais do que isso, in�meras vezes o PT e o pr�prio governo federal acabam ficando no papel de oposi��o, ocupando o papel que deveria ser da oposi��o. O pr�prio governo criticando o governo e o governo tamb�m se defendendo. Eles batem no Henrique Meirelles como se ele n�o fosse governo Lula, mas fosse um estranho no ninho. Essas coisas todas acabam contribuindo para que o presidente Lula tenha uma boa popularidade.
�Em pol�tica n�o se fecha porta�
Como municipalista, o sr. v� com bons olhos este pacote apresentado pelo PT, ou foi mais um palanque para a ministra Dilma?
Eu conversei com os prefeitos e alguns deles se mostraram c�ticos. Claro, todos satisfeitos com a decis�o de prorroga��o das d�vidas do INSS, o alongamento da d�vida do INSS que era de 60 meses agora vai para 20 anos, mas ao mesmo tempo preocupados com outras a��es que deveriam tamb�m ser anunciadas em benef�cio do municipalismo. O munic�pio sofre muito, e os Estados tamb�m, porque h� uma concentra��o muito violenta de recursos, de receita, e de poder da Uni�o. Eu, particularmente, me preocupo com a Reforma Tribut�ria porque ela pretende acabar com o pacto federativo no que tange, no que diz respeito � autonomia dos Estados para legislar sobre o ICMS. De qualquer maneira, se fizermos uma estat�stica, ao longo desses �ltimos dez anos, a concentra��o de recursos, de dinheiro, de poder da Uni�o ocorreu de maneira escabrosa e at� vergonhosa. Hoje, quase 80% de todas as receitas recolhidas no Brasil ficam em poder da Uni�o. E aos Estados e munic�pios cabe o pires na m�o. Ent�o, esta � uma realidade muito cruel, muito perversa at� porque as pessoas n�o vivem da Uni�o. As pessoas vivem nas cidades e os Estados e munic�pios s�o respons�veis por quase praticamente todos os servi�os que dizem respeito ao interesse coletivo, ao interesse do usu�rio do servi�o p�blico e ao povo de uma maneira geral. Sa�de, seguran�a, educa��o, habita��o, pavimenta��o urbana, saneamento. Quase tudo isso � de responsabilidade dos Estados e munic�pios.
E a Reforma Tribut�ria foi mesmo o assunto principal que o sr. tratou com o deputado Sandro Mabel ou sobrou espa�o para tratar outros assuntos?
Eu conversei praticamente com o deputado Sandro Mabel a quest�o da Reforma Tribut�ria. N�s fizemos um entendimento no sentido de estarmos conversando mais a partir de agora, principalmente no in�cio deste ano, para nos inteirarmos do que est� ocorrendo na C�mara e no Senado do ponto de vista da Reforma Tribut�ria. Ele me comunicou tamb�m que est� organizando um grande semin�rio internacional, com a presen�a de representantes de parlamentos da Organiza��o de Coopera��o de Desenvolvimento Econ�mico, que � a OCDE aqui no Brasil e acertou comigo um almo�o onde vamos ter a presen�a dos senadores e deputados federais e representantes da OCDE aqui na vice-presid�ncia do Senado para uma conversa sobre a legisla��o tribut�ria nesses pa�ses todos.
Com rela��o a algum tipo de aproxima��o pol�tica, com o deputado Sandro Mabel, � poss�vel a base aliada ter o PR novamente, um partaido que hoje � um dos aliados do prefeito Iris Rezende do PMDB?
Esse � um assunto a ser tratado no futuro. Eu tenho dito e quero reiterar que o assunto elei��o 2010 dever� ser tratado a partir do in�cio do ano que vem. E eu n�o estou misturando as atribui��es do Legislativo, as atribui��es e responsabilidades que tenho como legislador com discuss�es que dizem respeito ao processo eleitoral do ano que vem, porque sen�o acaba ficando dif�cil o desenvolvimento da atua��o parlamentar. Portanto, este � um assunto que vai ser tratado oportunamente e eu preferi definir uma agenda com o deputado Sandro Mabel exclusivamente de trabalho parlamentar, levando em conta os interesses nacionais, mas principalmente os interesses de Goi�s.
Mas n�o � preocupante para o PSDB e para a base, o PSDB que quer reunir a base novamente as a��es dos outros partidos, como PT e PMDB? O prefeito Iris Rezende j� tem v�rios aliados
Cada elei��o tem suas peculiaridades pr�prias, ou seja, toda elei��o � diferente da outra. N�s t�nhamos um retrato em 98, outro retrato em 2002, outro retrato em 2006 e por certo teremos uma outra fotografia em 2010. Toda elei��o � dif�cil. N�o h� elei��o f�cil. Todas as elei��es disputadas por n�s foram dific�limas. As duas elei��es que disputei como candidato a governador, em 98 e 2002, foram duras, dif�ceis, consideradas por muitos analistas pol�ticos e da �rea da imprensa como imposs�veis. E depois teve uma terceira elei��o disputada pelo dr. Alcides como o apoio da nossa base, considerada mais imposs�vel ainda. Ent�o, os cen�rios que se formam para as elei��es s�o cen�rios que indicam sempre dificuldades tanto para um lado quanto para o outro. Isso tamb�m n�o � s� de um lado. � do outro tamb�m. E o importante � registrar que em 98 n�s t�nhamos cinco partidos na alian�a, que me elegeu governador e vice-governador o dr. Alcides, que eram o PSDB, PP, DEM, PTB e PSDC. Para a elei��o de 2002 esta alian�a foi mantida, e tivemos o apoio de mais outros partidos. Tivemos ao todo 11 ou 12 partidos, incluindo partidos menores. J� na elei��o do governador Alcides n�s n�o tivemos a presen�a do Democratas, mas em contrapartida tivemos o apoio do PR, que n�o tinha estado conosco em 98 e nem estado formalmente em 2002, mas j� em 2006 o PR entrou na alian�a e o DEM n�o entrou. Para a elei��o de 2010 certamente n�s poderemos ter uma outra configura��o, ou a manuten��o dos partidos originais da base de 98 incluindo outros. Vai depender, sobretudo, dos desdobramentos que termos a partir de agora.
Muito se falou, senador, em problemas dentro da base, principalmente em rela��o PSDB e PP por conta de quest�es de governo. Como o sr. tem feito nestes �ltimos dois anos para realmente apaziguar e reunir principalmente esses dois partidos que s�o os maiores da base, que s�o o PSDB e o PP?
Eu tenho trabalhado com muita responsabilidade e bom senso, com esp�rito p�blico, partid�rio e de equipe, procurando colocar �gua na fervura quando necess�rio, procurando estender as a��es, relacionamentos quando h� algum tipo de problema. Todas as minhas a��es nos �ltimos meses foram no sentido de manter a base aglutinada. Se isso vai acontecer, s�o outros quinhentos, mas n�o ser� de mim a responsabilidade. Quaisquer que sejam os desdobramentos futuros em rela��o � base, especialmente se tivermos problemas com rela��o � unidade, ningu�m ter� condi��es de dizer que fui o respons�vel por isso. Eu jamais serei respons�vel pela desintegra��o de uma base que, tendo uma configura��o ou outra nas diversas elei��es, foi importante para que Goi�s pudesse alcan�ar par�metros de desenvolvimento econ�mico e social dos mais expressivos do Brasil e pudesse garantir alta respeitabilidade e credibilidade no Brasil.
O sr. acredita que o PP do governador Alcides Rodrigues possa fazer uma alian�a com o PMDB, como est� sendo muito comentada por a�, a exemplo da alian�a nacional?
Em pol�tica nada � imposs�vel, mas eu acho dif�cil porque s�o realidades muito distintas, s�o programas distintos e tamb�m h� uma tradi��o de diverg�ncias, de disputas que come�aram na UDN e no PSD. Vale lembrar que o PP, � �poca PDC, j� apoiou o governo Iris Rezende na d�cada de 90, quando ele obteve algumas fun��es, alguns cargos, como a presid�ncia do Banco do Estado de Goi�s. Mas isso ocorreu uma vez que foi na elei��o do Maguito Vilela, no segundo turno, e durante o segundo governo Iris Rezende. Mas h� uma tradi��o hist�rica de conflitos e confrontos entre aqueles l�deres que vieram do antigo UDN e os que vieram do antigo PSC.
Com rela��o ao DEM chances de uma aproxima��o com o deputado Ronaldo Caiado, principalmente?
Eu creio que sim. Em pol�tica a gente n�o fecha portas, e mais do que isso, h� todo o interesse da dire��o nacional do DEM, da dire��o nacional do PSDB no sentido de que possamos ter em todos os Estados o m�ximo de harmonia poss�vel entre os dois partidos. Ent�o, eu vejo como poss�vel, sim, e vou torcer por isso, claro. Os partidos s�o independentes, t�m liberdade, ningu�m aceita ser ....., ningu�m aceita servir..., mas a coer�ncia, a sensatez e a pr�pria realidade v�o se encarregar de aproximar cada vez mais as duas legendas em torno das pr�ximas elei��es.
Anapaula Hoekveld, Eduardo Sartorato e Elizeth Ara�jo
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Tribuna do Planalto - Qual a import�ncia desse cargo, 1� vice-presid�ncia do Senado, para o Estado de Goi�s?
Marconi Perillo - Em primeiro lugar este cargo, esta fun��o d� visibilidade ao parlamentar, e naturalmente d� visibilidade ao Estado de origem do parlamentar. � um cargo relevante, sobretudo se considerarmos que o presidente Jos� Sarney vai compartilhar comigo muitas das a��es e muito dos compromissos da fun��o de presidente da Casa. Em segundo lugar, � uma fun��o importante porque, certamente, a partir dela, eu terei oportunidade de presidir in�meras sess�es deliberativas, porque uma coisa s�o as sess�es n�o-deliberativas, de discurso apenas. Outra coisa s�o as sess�es deliberativas, com ordem do dia, com pauta de projetos que s�o deliberados. E essas s�o as sess�es mais importantes. Na aus�ncia do presidente, apenas o primeiro vice-presidente pode presidir essas sess�es de car�ter deliberativo, porque s�o sess�es que deliberam sobre propostas de emenda � Constitui��o, Medidas Provis�rias, Projetos de Lei Complementar, entre outras mat�rias. Tamb�m existe o Conselho de L�deres, que eu quero estar participando sempre que poss�vel dessas reuni�es do Conselho. Al�m disso, estar representando o Senado aqui no Brasil em muitos eventos, em muitas discuss�es, f�runs e tamb�m fora daqui. Ent�o, as atribui��es s�o in�meras. Al�m de compartilhar com o presidente dessas responsabilidades, ainda existe tamb�m a responsabilidade de participar semanalmente de todas as reuni�es da Mesa Diretora, que define o cronograma de vota��es, que define toda a condu��o, toda sistem�tica de administra��o do Senado Federal.
Como o sr. pretende conciliar este trabalho no Senado, que vai ser duro, com as fun��es pol�ticas em Goi�s? O senhor n�o teme abandonar suas bases?
Olha, eu vou utilizar naturalmente o tempo dos finais de semana, feriados e o tempo que efetivamente me sobrar das atribui��es daqui que, como eu disse, s�o in�meras. Mas eu pretendo, nos momentos dispon�veis, continuar visitando munic�pios, participando de cerim�nias em Goi�nia ou onde elas ocorrerem, e para as quais eu for convidado. � claro que esta fun��o limita muito. Ontem mesmo (ter�a, 10) eu gostaria de ter acompanhado o governador na inaugura��o de uma pequena usina hidrel�trica. N�o pude, em fun��o dos compromissos aqui no Senado. Na sexta-feira (13 de fevereiro) eu gostaria tamb�m de acompanhar o governador na inaugura��o importante de uma rodovia, que foi iniciada no meu governo, mas n�o vou poder em fun��o de compromissos. Agora, de qualquer maneira, sendo poss�vel, eu conciliarei as fun��es de senador e de 1� vice-presidente da Casa com as fun��es pol�ticas e outras fun��es.
Qual a marca que o sr. pretende deixar na 1� vice-presid�ncia?
� a marca da assiduidade, do dinamismo, do interesse pelo resgate da imagem da Casa e muito trabalho, muito trabalho, presidindo as reuni�es, votando as mat�rias, colaborando para que haja celeridade, transpar�ncia, desburocratiza��o, enfim, colaborando para que o Senado possa cumprir a sua fun��o constitucional de discutir, deliberar, votar, aprovar ou rejeitar mat�rias de interesse p�blico, aprimorando a legisla��o em todos os seus aspectos, atrav�s dos projetos de iniciativa da Casa ou atrav�s de projetos de iniciativa dos outros poderes.
O cargo do sr. e mais os cargos dos outros parlamentares e mais a rela��o do governador Alcides Rodrigues como o governo federal, representam um novo momento no Estado de Goi�s hoje?
Eu n�o tenho d�vidas. H� dez anos quando cheguei ao governo eu tinha clareza meridiana em rela��o � import�ncia de Goi�s buscar novos espa�os, de se inserir qualitativamente no cen�rio nacional e internacional e brigar para conseguir os espa�os que j� eram e que hoje s�o mais evidenciados de espa�os nossos, que deveriam e devem continuar sendo conquistados pelos goianos. Goi�s deixou h� muito de ser uma prov�ncia atrasada. Goi�s � hoje um dos Estados mais modernos do Brasil, � um dos Estados mais ricos e mais adiantados do ponto de vista cient�fico, tecnol�gico, cultural, educacional e tamb�m na �rea da sa�de, dentre outras. � um Estado que, especialmente nesta �ltima d�cada, agregou muito valor �s suas mat�rias-primas e com isso conseguiu melhorar ainda mais a sua performance em termos de PIB e tamb�m de PIB industrial, renda per capita, exporta��es, melhoria de todos os indicadores sociais, como o IDH, mortalidade materno-infantil, pobreza, etc. Ent�o, nestes �ltimos anos, o Estado de Goi�s melhorou muito, e isso se deu gra�as a essa fase nova, a essa realidade nova que garantiu e continua garantindo forte visibilidade ao Estado, forte respeito por parte de todos os atores pol�ticos, econ�micos, sociais no Brasil. Os n�meros que Goi�s apresentou nos �ltimos anos foram muito expressivos tanto que Goi�s hoje, do ponto de vista econ�mico, do ponto de vista social, j� � um Estado respeitado, que goza de grande credibilidade e � medida que n�s ocupamos espa�os pol�ticos aqui, esta visibilidade, esta envergadura aumenta tamb�m de forma exponencial.
Ent�o, como o sr. avalia o governo Alcides Rodrigues?
Avalio de forma positiva. O governador Alcides Rodrigues tem procurado dar sequ�ncia a muitos dos programas que n�s come�amos juntos, trabalha para buscar desenvolver o Estado em bases, em pol�ticas econ�micas saud�veis e procura desenvolver o seu governo com vistas a cumprir os seus compromissos de campanha.
Como o sr. avalia as a��es do governo Lula diante do momento em que o Pa�s est� passando e frente a crise financeira internacional?
A crise internacional � forte. � a maior crise ap�s a crise de 1929, talvez at� maior. � uma crise que j� trouxe reflexos negativos para praticamente todas as regi�es do mundo, todos os pa�ses do mundo. Alguns sofreram e sofrem mais com a crise, outros sofrem menos. O Brasil, ao longo de mais de uma d�cada definiu os fundamentos macroecon�micos muito s�lidos e isso iniciado j� no governo Fernando Henrique e que teve sequ�ncia na gest�o do presidente do Banco Central, o goiano Henrique Meirelles. Esses fundamentos foram importantes para que o Pa�s pudesse atingir uma maturidade econ�mica forte para que tamb�m pudesse garantir uma pol�tica de equil�brio fiscal respeitada por todos, e isso se deve em grande parte n�o s� �s metas de infla��o, �s metas do Banco Central, Minist�rio da Fazenda, mas tamb�m � Lei de Responsabilidade Fiscal que, na minha opini�o, significa um paradigma novo para o Pa�s, do ponto de vista de gastan�a, de dinheiro p�blico. Esta lei limita hoje principalmente a gastan�a dos Estados e munic�pios. Agora, � claro que vamos depender muito do cen�rio externo para saber se a crise vai se agravar mais ainda ou menos no curso deste ano. N�o d� para saber se a crise j� est� passando, ou se j� est� amortecida, ou se j� est� atenuada. Eu creio que o governo do Brasil demorou um pouco para tomar algumas medidas para combater a crise, principalmente para reduzir os impactos da crise nos empregos, na redu��o da atividade econ�mica, por�m medidas foram tomadas e gra�as a esta estabilidade econ�mica o Brasil sofreu menos. Agora, de qualquer maneira, vamos depender muito do que vai ocorrer no mundo, especialmente nos Estados Unidos e Europa daqui para frente. Se n�o tivermos uma piora em rela��o � crise em alguns pa�ses do mundo, por certo a tend�ncia aqui � de estabiliza��o.
O presidente Fernando Henrique tem cobrado publicamente um posicionamento de oposi��o maior do PSDB em rela��o ao governo Lula. Como o senhor vai conduzir esse papel de oposi��o estando � frente da 1� vice-presidente?
� preciso lembrar que uma coisa � o cargo executivo de dirigente da Casa e outra coisa � a minha postura como cidad�o e de senador de oposi��o. N�s vamos continuar cobrando pol�ticas p�blicas s�rias, corretas, que efetivamente possam garantir ao Brasil crescimento com sustentabilidade, pol�ticas de inclus�o, de combate �s distor��es regionais. Melhorias significativas nas �reas que s�o fundamentais na vida das pessoas, como a sa�de, que passa por uma situa��o dif�cil, delicada, seguran�a p�blica, habita��o, saneamento b�sico, educa��o e etc. O presidente Fernando Henrique tem toda raz�o. No processo eleitoral n�s fomos colocados pela popula��o no campo da oposi��o, � medida que perdemos o governo e, como tal, devemos ser coerentes. Eu combato sistematicamente a pol�tica do fisiologismo, do adesismo. Isso n�o combina com o PSDB. N�s temos coer�ncia com aquilo que pregamos, com aquilo que fazemos. � comum, em v�rios outros partidos, perder a elei��o presidencial ou governamental e seus parlamentares procurarem espa�os especialmente junto �queles que venceram, ent�o no governo. Esse n�o � o nosso caso. Se estamos no governo procuramos governar com compet�ncia, com efici�ncia, com honestidade. Se estamos na oposi��o, n�o procuramos aderir a quem est� no governo.
Como o sr. v� esta alta popularidade do presidente Lula, apesar da crise e de todos os problemas que o governo tem enfrentado?
O presidente Lula tem uma a��o midi�tica hoje muito forte. Se voc� liga a televis�o todos os dias voc� assiste �s propagandas ininterruptas da Caixa Econ�mica, do Banco do Brasil, da Petrobras e de v�rios �rg�os do governo. Ent�o, em primeiro, uma a��o de m�dia muito forte. Em segundo, ele � uma pessoa que tem um poder de comunica��o, principalmente em rela��o �s massas. Em terceiro lugar, h� alguns fact�ides, como o PAC (Programa de Acelera��o do Crescimento). Isso acaba transformando a �urea do presidente numa �urea vencedora aos olhos da opini�o p�blica. Como grande parte dos �rg�os de comunica��o recebe esta avalanche de publicidade, de m�dia, � oposi��o sobra muito pouco em termos de questionamento, de cr�ticas e, sendo assim, a opini�o p�blica acaba ficando tamb�m muito desguarnecida em termos de n�meros, de dados, de informa��es para poder fazer uma avalia��o mais isenta, mais apurada.
Nisso o senhor n�o se acha parecido com ele porque tamb�m investiu e investe muito em m�dia?
Na verdade, esta quest�o da m�dia influencia, sim, na popularidade. Isso � uma grande verdade. Agora, � preciso ver como voc� faz, qual o n�vel de m�dia que se adota. N�s faz�amos campanha n�o no dia-a-dia, faz�amos campanhas peri�dicas. Tinha uma a��o para ser apresentada, tinha um resultado a ser mostrado, n�s apresent�vamos � sociedade. Agora, a que estou me referindo � a uma m�dia mais intensiva, no sentido do bombardeio mesmo. N�s temos m�dia todos os dias, al�m do que o presidente comunica bem com a popula��o. � a capacidade de comunica��o dele que � muito forte. E, mais do que isso, in�meras vezes o PT e o pr�prio governo federal acabam ficando no papel de oposi��o, ocupando o papel que deveria ser da oposi��o. O pr�prio governo criticando o governo e o governo tamb�m se defendendo. Eles batem no Henrique Meirelles como se ele n�o fosse governo Lula, mas fosse um estranho no ninho. Essas coisas todas acabam contribuindo para que o presidente Lula tenha uma boa popularidade.
�Em pol�tica n�o se fecha porta�
Como municipalista, o sr. v� com bons olhos este pacote apresentado pelo PT, ou foi mais um palanque para a ministra Dilma?
Eu conversei com os prefeitos e alguns deles se mostraram c�ticos. Claro, todos satisfeitos com a decis�o de prorroga��o das d�vidas do INSS, o alongamento da d�vida do INSS que era de 60 meses agora vai para 20 anos, mas ao mesmo tempo preocupados com outras a��es que deveriam tamb�m ser anunciadas em benef�cio do municipalismo. O munic�pio sofre muito, e os Estados tamb�m, porque h� uma concentra��o muito violenta de recursos, de receita, e de poder da Uni�o. Eu, particularmente, me preocupo com a Reforma Tribut�ria porque ela pretende acabar com o pacto federativo no que tange, no que diz respeito � autonomia dos Estados para legislar sobre o ICMS. De qualquer maneira, se fizermos uma estat�stica, ao longo desses �ltimos dez anos, a concentra��o de recursos, de dinheiro, de poder da Uni�o ocorreu de maneira escabrosa e at� vergonhosa. Hoje, quase 80% de todas as receitas recolhidas no Brasil ficam em poder da Uni�o. E aos Estados e munic�pios cabe o pires na m�o. Ent�o, esta � uma realidade muito cruel, muito perversa at� porque as pessoas n�o vivem da Uni�o. As pessoas vivem nas cidades e os Estados e munic�pios s�o respons�veis por quase praticamente todos os servi�os que dizem respeito ao interesse coletivo, ao interesse do usu�rio do servi�o p�blico e ao povo de uma maneira geral. Sa�de, seguran�a, educa��o, habita��o, pavimenta��o urbana, saneamento. Quase tudo isso � de responsabilidade dos Estados e munic�pios.
E a Reforma Tribut�ria foi mesmo o assunto principal que o sr. tratou com o deputado Sandro Mabel ou sobrou espa�o para tratar outros assuntos?
Eu conversei praticamente com o deputado Sandro Mabel a quest�o da Reforma Tribut�ria. N�s fizemos um entendimento no sentido de estarmos conversando mais a partir de agora, principalmente no in�cio deste ano, para nos inteirarmos do que est� ocorrendo na C�mara e no Senado do ponto de vista da Reforma Tribut�ria. Ele me comunicou tamb�m que est� organizando um grande semin�rio internacional, com a presen�a de representantes de parlamentos da Organiza��o de Coopera��o de Desenvolvimento Econ�mico, que � a OCDE aqui no Brasil e acertou comigo um almo�o onde vamos ter a presen�a dos senadores e deputados federais e representantes da OCDE aqui na vice-presid�ncia do Senado para uma conversa sobre a legisla��o tribut�ria nesses pa�ses todos.
Com rela��o a algum tipo de aproxima��o pol�tica, com o deputado Sandro Mabel, � poss�vel a base aliada ter o PR novamente, um partaido que hoje � um dos aliados do prefeito Iris Rezende do PMDB?
Esse � um assunto a ser tratado no futuro. Eu tenho dito e quero reiterar que o assunto elei��o 2010 dever� ser tratado a partir do in�cio do ano que vem. E eu n�o estou misturando as atribui��es do Legislativo, as atribui��es e responsabilidades que tenho como legislador com discuss�es que dizem respeito ao processo eleitoral do ano que vem, porque sen�o acaba ficando dif�cil o desenvolvimento da atua��o parlamentar. Portanto, este � um assunto que vai ser tratado oportunamente e eu preferi definir uma agenda com o deputado Sandro Mabel exclusivamente de trabalho parlamentar, levando em conta os interesses nacionais, mas principalmente os interesses de Goi�s.
Mas n�o � preocupante para o PSDB e para a base, o PSDB que quer reunir a base novamente as a��es dos outros partidos, como PT e PMDB? O prefeito Iris Rezende j� tem v�rios aliados
Cada elei��o tem suas peculiaridades pr�prias, ou seja, toda elei��o � diferente da outra. N�s t�nhamos um retrato em 98, outro retrato em 2002, outro retrato em 2006 e por certo teremos uma outra fotografia em 2010. Toda elei��o � dif�cil. N�o h� elei��o f�cil. Todas as elei��es disputadas por n�s foram dific�limas. As duas elei��es que disputei como candidato a governador, em 98 e 2002, foram duras, dif�ceis, consideradas por muitos analistas pol�ticos e da �rea da imprensa como imposs�veis. E depois teve uma terceira elei��o disputada pelo dr. Alcides como o apoio da nossa base, considerada mais imposs�vel ainda. Ent�o, os cen�rios que se formam para as elei��es s�o cen�rios que indicam sempre dificuldades tanto para um lado quanto para o outro. Isso tamb�m n�o � s� de um lado. � do outro tamb�m. E o importante � registrar que em 98 n�s t�nhamos cinco partidos na alian�a, que me elegeu governador e vice-governador o dr. Alcides, que eram o PSDB, PP, DEM, PTB e PSDC. Para a elei��o de 2002 esta alian�a foi mantida, e tivemos o apoio de mais outros partidos. Tivemos ao todo 11 ou 12 partidos, incluindo partidos menores. J� na elei��o do governador Alcides n�s n�o tivemos a presen�a do Democratas, mas em contrapartida tivemos o apoio do PR, que n�o tinha estado conosco em 98 e nem estado formalmente em 2002, mas j� em 2006 o PR entrou na alian�a e o DEM n�o entrou. Para a elei��o de 2010 certamente n�s poderemos ter uma outra configura��o, ou a manuten��o dos partidos originais da base de 98 incluindo outros. Vai depender, sobretudo, dos desdobramentos que termos a partir de agora.
Muito se falou, senador, em problemas dentro da base, principalmente em rela��o PSDB e PP por conta de quest�es de governo. Como o sr. tem feito nestes �ltimos dois anos para realmente apaziguar e reunir principalmente esses dois partidos que s�o os maiores da base, que s�o o PSDB e o PP?
Eu tenho trabalhado com muita responsabilidade e bom senso, com esp�rito p�blico, partid�rio e de equipe, procurando colocar �gua na fervura quando necess�rio, procurando estender as a��es, relacionamentos quando h� algum tipo de problema. Todas as minhas a��es nos �ltimos meses foram no sentido de manter a base aglutinada. Se isso vai acontecer, s�o outros quinhentos, mas n�o ser� de mim a responsabilidade. Quaisquer que sejam os desdobramentos futuros em rela��o � base, especialmente se tivermos problemas com rela��o � unidade, ningu�m ter� condi��es de dizer que fui o respons�vel por isso. Eu jamais serei respons�vel pela desintegra��o de uma base que, tendo uma configura��o ou outra nas diversas elei��es, foi importante para que Goi�s pudesse alcan�ar par�metros de desenvolvimento econ�mico e social dos mais expressivos do Brasil e pudesse garantir alta respeitabilidade e credibilidade no Brasil.
O sr. acredita que o PP do governador Alcides Rodrigues possa fazer uma alian�a com o PMDB, como est� sendo muito comentada por a�, a exemplo da alian�a nacional?
Em pol�tica nada � imposs�vel, mas eu acho dif�cil porque s�o realidades muito distintas, s�o programas distintos e tamb�m h� uma tradi��o de diverg�ncias, de disputas que come�aram na UDN e no PSD. Vale lembrar que o PP, � �poca PDC, j� apoiou o governo Iris Rezende na d�cada de 90, quando ele obteve algumas fun��es, alguns cargos, como a presid�ncia do Banco do Estado de Goi�s. Mas isso ocorreu uma vez que foi na elei��o do Maguito Vilela, no segundo turno, e durante o segundo governo Iris Rezende. Mas h� uma tradi��o hist�rica de conflitos e confrontos entre aqueles l�deres que vieram do antigo UDN e os que vieram do antigo PSC.
Com rela��o ao DEM chances de uma aproxima��o com o deputado Ronaldo Caiado, principalmente?
Eu creio que sim. Em pol�tica a gente n�o fecha portas, e mais do que isso, h� todo o interesse da dire��o nacional do DEM, da dire��o nacional do PSDB no sentido de que possamos ter em todos os Estados o m�ximo de harmonia poss�vel entre os dois partidos. Ent�o, eu vejo como poss�vel, sim, e vou torcer por isso, claro. Os partidos s�o independentes, t�m liberdade, ningu�m aceita ser ....., ningu�m aceita servir..., mas a coer�ncia, a sensatez e a pr�pria realidade v�o se encarregar de aproximar cada vez mais as duas legendas em torno das pr�ximas elei��es.


