Indeciso, Iris diz que deixar o cargo “não é brincadeira”
O prefeito Iris Rezende (PMDB) reafirmou ontem sua indecisão em ser candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano. Em manhã de rápida prestação de contas na Câmara Municipal de Goiânia, Iris disse que só quem vive o momento em que ele está vivendo é que sabe a responsabilidade e a dificuldade em tomar uma decisão. “Isso não é brincadeira”, afirmou. O prefeito lembrou sua segunda conquista à administração da prefeitura, em 2008, quando foi reeleito com 75% dos votos e reiterou o discurso já conhecido: “Preciso sentir essa cidade com mais intensidade. Quero fazer as coisas de acordo com o sentimento do povo. Aliás, se tem alguém a quem eu devo obediência, esse alguém é o povo.”
Questionado sobre as causas de um possível recuo a esta altura do campeonato, Iris respondeu que nunca afirmou que seria candidato a governador. O prefeito advertiu que há tempos segue dizendo que o partido está debruçado sobre a questão da candidatura própria, que está discutindo nomes e buscando alianças, e citou, inclusive, a polêmica candidatura do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. “O meu nome está sendo discutido, mas já se discutiram outros, como o de Meirelles, por exemplo”, lembrou. O peemedebista admitiu, no entanto, que, de todos, ele é a pessoa que tem mais dificuldade em tomar decisões e justificou. “Tenho um compromisso com Goiânia. De forma que não posso, em hipótese alguma, tomar uma atitude como essa sem pensar, repensar, pensar e repensar de novo.”
O prefeito disse ainda que tem até o final do mês para decidir se fica à frente do Executivo Municipal ou se renuncia ao cargo de prefeito e oficializa candidatura. “As expectativas têm aumentado, pelo povo e pelos concorrentes, a preocupação por parte dos partidos também tem crescido por causa do momento de decisão que se aproxima, o que é natural. Mas eu tenho alguns dias para decidir se fico (na prefeitura) ou se represento o meu partido e os demais aliados.”
O próprio já reiterou a vontade de disputar o governo várias vezes nos últimos anos. Neste mês, mais ainda. Disse que não vai para junto de Deus sem antes limpar sua imagem com os jovens, atualmente deturpada, segundo ele. Afirmou que no Executivo Estadual pode fazer, em um ano, trabalhos que demoraria 10 anos para fazer na prefeitura, entre muitas outras coisas. No entanto, há que se considerar que várias são as dúvidas que povoam os pensamentos de Iris. O próprio posicionamento do prefeito, nas últimas semanas, demonstra isso.
Outro fator que preocupa o prefeito é deixar o comando da prefeitura nas mãos do PT. Apesar de serem parceiros de longas datas, o PMDB tem as suas preocupações quanto ao rumo da administração do Paço Municipal. Não é à toa que Iris teria pedido ao vice-prefeito, Paulo Garcia (PT), que segurasse alguns cargos até outubro. As mudanças seriam feitas em comum acordo pelos dois. Paulo Garcia teria ainda dado a palavra de que o restante da estrutura da administração não seria modificado.
INTERRUPÇÕES
Ainda nessa onda de dúvidas, há a preocupação, por parte do prefeito, de ficar conhecido como o político que não termina mandato. De acordo com Iris, seus adversários estariam ligando essa atitude a ele. Isso, segundo o prefeito, porque o peemedebista deixou o governo do Estado, em 1985, quando era governador, para ser ministro da Agricultura, e depois, em 1993, quando também era governador, para ser candidato ao Senado. “Na primeira vez, deixei o cargo porque ocupar o ministério seria uma oportunidade praticamente única, à época, para Goiás tomar assento na mesa das decisões nacionais e valeu muito a pena”, justifica. Iris disse ainda que quando renunciou da segunda vez, para ser senador, continuaram falando que ele não concluía mandato. “Por isso tenho que contar até 10 antes de tomar uma posição, para evitar comentários do tipo.”
Para somar a todos esses contratempos, existe também a preocupação com a saúde de Iris, por parte da família. O prefeito tem 76 anos e a disputa por um cargo eleitoral requer desgaste físico e psicológico, além de dedicação quase que 24 horas por dia, e esforço para participar de debates, encontros, passeatas, comícios, entre outros. No final do ano passado, passou por cirurgia no intestino.
Para Valdi, “indecisão” faz parte da estratégia eleitoral
As declarações do prefeito Iris Rezende sugerindo possível desistência de concorrer ao pleito de outubro não têm preocupado os petistas. Ao DM, o presidente estadual do PT, Valdi Camarcio, disse que o partido tem convicção de que Iris é o candidato. Ele reitera que o prefeito há tempos se colocou a disposição do PMDB e do PT. “Não há nenhum clima de insatisfação no partido quanto a isso. Estamos certos de que Iris irá oficializar sua decisão em poucos dias.”
Valdi acrescentou que cada político tem o seu método de trabalho, e que o PT respeita “o estilo de Iris de caminhar para a formalização da candidatura”. “Cada pessoa tem uma forma de trabalhar. Ele tem de administrar tudo e, até o final de março, ele anuncia. É nisso que a gente acredita”, afirmou. Questionado pelo plano B, Valdi não quis se pronunciar, pois, segundo ele, o recuo de Iris não foi cogitado pelo partido.
Por telefone, a ex-deputada federal e secretária municipal do Desenvolvimento Econômico (Sedem), Neyde Aparecida, disse que o partido espera, com tranquilidade, até o dia 2 de abril, data em que Iris tem de desincompatibilizar. A secretária lembrou, todavia, que o prefeito em nenhum momento confirmou que seria candidato. “Ele demonstrou disposição para ser o nome. Todavia, estamos tranquilos. O PT já oficializou o apoio ao PMDB e até lá (prazo final) vamos aguardar a posição de Iris.”
De acordo com Neyde, caso Iris realmente desista, o PT tem duas alternativas: sentar com o PMDB para conversar e decidir se apoia outro nome colocado pelo partido ou então lançar um candidato próprio, que poderia ser o deputado federal Rubens Otoni (PT), que aliás tem cumprido agenda de pré-candidato. “Mas acredito que essa possibilidade (de desistência) é muito distante.”
Pelas conversas com petistas, parece que a indecisão de Iris está mais para alcançar algum objetivo camuflado, do que para recuo, de fato. E os objetivos podem ser vários: apoio de lideranças de peso, como do governador Alcides, entre outras, segurança por parte do PT nacional e estadual, de que não sairia perdendo, enfim, estratégias para uma disputa que promete ainda muitas surpresas até outubro.
DE SAÍDA
Questionada sobre sua candidatura, Neyde Aparecida disse que ela ainda não está definida e que isso deve acontecer somente após o fechamento de alianças entre o PT e os demais partidos parceiros. A secretária também afirmou estar em dúvida quanto à vaga a qual irá concorrer. “Ainda não sei se é deputada estadual ou federal. Mas a tendência é que seja deputada estadual”, afirma.
Entre os demais secretários municipais que deverão deixar seus postos até maio, para concorrerem a uma vaga no pleito deste ano, estão Euler Morais, do Turismo; Lívio Luciano, da Comunicação; Mauro Miranda, da Habitação e governo, e Wagner Siqueira, da Comurg.
“Aposentadoria” precipitaria disputa pelo comando do PMDB
A eventual permanência do prefeito Iris Rezende no cargo até o final do mandato seria interpretada, no PMDB, como a antecipação do seu pedido de aposentadoria. Aliados do prefeito acreditam que esta seria a última grande participação de Iris em eleições e que o prefeito não terá condições de disputar cargos majoritários no futuro.
Até essa semana, as principais correntes do PMDB acreditavam que o prefeito era o candidato certo do partido ao Palácio das Esmeraldas, e, em nome da perspectiva de poder que Iris representa, adiavam o confronto direto pelo comando da legenda no cenário pós-Iris. Hoje, há aliados que já reconhecem a possibilidade de o prefeito se aposentar. E aí, como fica o PMDB?
Pouco se avançou na preparação de nomes para substituir Iris. A principal estrela da nova geração de peemedebistas é o deputado estadual Thiago Peixoto, que, apesar de promissor, teria pouco tempo para preparar sua candidatura e fazer frente ao poderoso capital eleitoral do senador Marconi Perillo (PSDB).
Thiago não é unanimidade no PMDB. Além de enfrentar resistência das bancadas estadual e federal do partido, enfrenta ainda a forte oposição de um bloco liderado pelo deputado estadual Samuel Belchior, seu contemporâneo.
Em outra frente, o presidente regional do partido, Adib Elias, aposta no bom trânsito junto a prefeitos para se fazer herdeiro do espólio de Iris. Mas Adib enfrenta reconhecida dificuldade para ampliar sua popularidade, restrita à região de Catalão.
Não há quem consiga unir o partido como Iris. Caso opte por ficar de fora da disputa, abre-se um debate interno que, todos acreditavam, só deveria ocorrer oito ou talvez dez anos depois.
Os possíveis cenários sem Iris
Caso desista da candidatura ao governo, prefeito de Goiânia altera o quadro político do Estado e zera negociação entre siglas
PT lança candidato próprio
Após a reunião em que declarou apoio formal ao PMDB, o PT condicionou a aliança à escolha do prefeito Iris Rezende como candidato ao governo. Trocando em miúdos: a eventual desistência de Iris zera a negociação entre os dois partidos. Ao mesmo tempo, este fato impulsionaria a candidatura do deputado federal Rubens Otoni, que desde muito tempo se coloca como plano B da base de sustentação do presidente Lula - principalmente depois que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, saiu do páreo. E não restam dúvidas: Otoni exigirá o apoio do PMDB.
PMDB prepara plano B
Desde que Henrique Meirelles sepultou seus planos de disputar o governo nestas eleições, o PMDB se tornou refém da candidatura de Iris. A princípio, não resta outro nome no PMDB que consiga fazer frente ao capital eleitoral do senador Marconi Perillo (PSDB). Caso Iris decida permanecer na prefeitura até o final do seu mandato, o partido terá três opções: apoiar o candidato da Nova Frente, o candidato do PT (provavelmente Rubens Otoni) ou preparar um nome próprio, que poderia ser o presidente do diretório regional Adib Elias ou o deputado estadual Thiago Peixoto.
PMDB fecha apoio a Vanderlan
A candidatura do prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PR), ganha fôlego diante da hipotética desistência de Iris em disputar o governo. Dono de um estilo de gestão eficiente e de um ótimo trânsito com o governador Alcides Rodrigues (PP) e com o PMDB irista, Vanderlan pode significar a união de forças políticas que hoje não estão formalmente aliançadas. A principal dificuldade residiria em convencer parcela significativa do PMDB, que exige candidatura própria, e o PT, que está decidido a caminhar com Rubens Otoni caso Iris abandone a disputa.
O que estaria por trás da indecisão de Iris
Fator Jânio Quadros
Dentro do PT, é unânime a avaliação de que o prefeito adotou estratégia imortalizada pelo ex-presidente Jânio Quadros. Em 1959, Jânio ameaçou sair de cena com o objetivo de comover aliados e forçá-los a ungi-lo como força política inconteste. Iris desejaria, desta forma, reforçar o apelo por aliança ao governador Alcides Rodrigues. Em tempo: com Jânio, a estratégia não deu certo. Jânio levou a ameaça adiante, renunciou à presidência, mas não foram buscá-lo de volta.
Resistência da família
Especula-se que seja a família o principal núcleo de pressão contrário à candidatura de Iris ao governo. Filhas estariam preocupadas com a saúde do prefeito, que completou 76 anos em dezembro. Aliados do prefeito teriam externado essa preocupação em um encontro com a Executiva regional do PT. Em tempo: o prefeito operou o intestino no final do ano passado, mas Iris já conseguiu eliminar questionamentos referentes à sua saúde entre seus aliados.
Desconfiança com PT
As partes negam, mas existe desconfiança do PMDB com o PT. Iris quer que o governo federal avalize um acordo segundo o qual o PT goiano se comprometeria a não substituir as peças que ele, o prefeito, indicou para acomodar apadrinhados no lugar. Ali trabalham profissionais da confiança da deputada federal Iris de Araújo (PMDB). O prefeito tratou do assunto com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas ainda quer ouvir o presidente Lula.
Campanha custará caro
A estimativa inflacionada de custos para a eleição deste ano estaria por trás dos motivos que justificam a indecisão de Iris. Avalia-se que a campanha para o governo de Goiás vá custar, aos candidatos com maior perspectiva de vitória, cerca de R$ 50 milhões. Dinheiro que o PMDB não sabe se consegue arrecadar, apesar da boa perspectiva de poder que possui. Conta a favor de Iris, neste aspecto, o provável apoio do governo federal à sua candidatura.
Falta de apoio entre deputados
Iris carece de apoio na base de deputados federais do PMDB. Na bancada federal, tem o apoio irrestrito apenas da deputada Iris Araújo, sua esposa, além da simpatia de Pedro Chaves. Outros dois deputados, Marcelo Melo e Leandro Vilela, cuidam de seus mandatos independente da interlocução com o Paço. O caso de Luiz Bittencourt é ainda pior. Ele é aliado de Marconi. Por outro lado, tem bom relacionamento com maior parte da bancada estadual.
Sem Iris, estes seriam os possíveis candidatos
Rubens Otoni (PT)
O deputado federal é convicto de que pode reunir a base do presidente Lula em Goiás, e o seu partido deve avançar em sua pré-candidatura tão logo se confirme eventual disposição de Iris a permanecer no Paço até o fim do mandato.
Thiago Peixoto (PMDB)
O deputado possui perfil arrojado e com potencial para liderar o partido no futuro, mas teria dificuldades para viabilizar sua candidatura a tempo de fazer frente à campanha do senador Marconi Perillo (PSDB).
Adib Elias (PMDB)
O presidente regional do PMDB enfrenta histórica dificuldade de transpor sua popularidade para além da região de Catalão, município que administrou por dois mandatos (2001-2008). Também enfrenta resistência no partido.
Vanderlan Cardoso (PR)
É o coringa da vez. Ao mesmo tempo que surge na bolsa de apostas da Nova Frente, o prefeito de Senador Canedo é lembrado também para encabeçar a chapa que reuniria PMDB-PT-PR e, quem sabe, o PP. Tem fama de bom gestor.
Mauro Miranda (PMDB)
O ex-senador e fiel aliado de Iris deixa as secretarias de Governo e Habitação em março de qualquer maneira - seja para concorrer às eleições, seja para coordenar a campanha de Iris. É dono da total confiança do prefeito.
Na onda de denuncismo e terror que tomou conta da Assembleia Legislativa, o deputado Daniel Goulart faz um papel de Goebbels caipira, espalhando ataques contra o governo que, até meses atrás, ele defendia. Todo mundo sabe que Goulart está com sua reeleição ameaçada, principalmente se o PSDB continuar apenas com o PTB e alguns partidos nanicos, como o PPS. Mas Goulart, assim como outros colegas deputados, não age por conta própria: acata ordens.
Em uma reunião no Castro´s Hotel na semana passada, a ordem foi dada: os ataques ao governo de Alcides Rodrigues deveriam ser mais fortes. A primeira ação foi a propositura de um requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para supostamente investigar o déficit de R$ 100 milhões por mês herdado por Alcides, fato que ficou notório no atual governo, com larga divulgação documentada. À época, o pagamento do funcionalismo chegou a ser ameaçado por falta de receita. A situação da Celg era tão ruim que havia a ameaça de intervenção na estatal, enquanto prestadores de serviços na área de saúde conveniados ao Estado suspendiam o atendimento aos servidores e se recusavam a fornecer remédios ao governo.
Os primeiros passos do governo Alcides foram dados, obrigatoriamente, na direção da busca do equilíbrio entre receitas e despesas. Porém Alcides não antecipou receitas, como fez o ex-governador, e trabalhou com a realidade financeira de então. Aliás, o governador adotou a correta prática de gastar apenas o que tivesse em caixa, algo bem distante das práticas megalomaníacas de seu antecessor. Três palavras, para mim, realmente definem a diferença entre as duas gestões: desenvolvimento com responsabilidade.
Na última quinta-feira, os tucanos mudaram o nome da investigação. Recuaram da CPI do Déficit para “CPI do Endividamento”, e anunciaram investigação das finanças no período de 15 de março de 1991 a 31 de dezembro de 2009. O medo de que o governo anterior fosse desnudado com a investigação do incontestável déficit ficou evidente na mudança de foco para prazo tão longo. O fato é que a esperteza pode não dar certo, já que a maioria na Assembleia é composta por parlamentares de bom caráter e comprometidos com a verdade, e essa maioria vai trabalhar contra as tentativas de tumultuar e fazer palanque para candidato ao governo.
Eis aí a matemática do jogo político em curso. A que interessa. Porque a outra, que confunde conceito e mistura números, até cria frases bonitas, mas não fecha com a realidade. O malabarismo gramatical esconde uma retórica que muitos jornalistas dominam, embora no final das contas não permita que se chegue a dois na soma de um mais um. Nada que, enfim, não possa ser desmascarado quando os fatos forem colocados à mesa, na hora certa – seja numa CPI, seja numa convocação de autoridades do governo para falar dos números (algo, aliás, evitado em nome da necessidade do palanque eleitoreiro).
Fato curioso demonstra que a CPI do Endividamento quer apenas embaçar: o que motivaria a sua criação seriam as declarações do secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, e do governador Alcides Rodrigues, sobre o déficit milionário deixado por Marconi Perillo. Ocorre, porém, que a razão apontada no requerimento foi outra: “...existência de débito acumulado no período supra citado (1991 a 2008) no valor de cem milhões de reais, portanto fato público e notório, gerando intranqüilidade e incertezas quanto ao futuro das finanças do Estado...”. Acontece que Braga e Alcides nunca falaram em “débito acumulado no período supra citado”, e nem há “intranquilidade e incertezas quanto ao futuro das finanças”, já que nos últimos três anos a situação caótica foi regularizada.
Mas, então, por que investigar outros governos, já que em nenhum momento Alcides e Braga falaram que o déficit foi deixado por governos anteriores ao de Marconi Perillo? Está claro que, longe de ter tido uma vitória, o PSDB saiu bastante desgastado depois que declarou guerra ao governo. Mostrou fraqueza no recuo. Por que o partido não encarou os dados da Secretaria da Fazenda, aprovados pela própria Assembleia? Os números, como sabiam os teatrais deputados marconistas, atingiriam em cheio seu mentor. E os números não mentem, não é mesmo?, ainda que a matemática torta às vezes os façam fazer curva. (Não esqueçamos: tudo a seu tempo e hora).
O desgaste dos adversários – embora digam o contrário – do governo ficou evidenciado justamente pela CPI que criaram. Um deputado teve inclusive de retornar voando para o Legislativo para que o número de assinaturas mínimo para abertura de comissão fosse alcançado. Um número longe da maioria avassaladora que anunciaram como fechada com o senador. E por que mesmo a artimanha de insistir no recurso do princípio da minoria, em vez de colocar o requerimento em votação? Porque, democraticamente, no voto, perderiam.
A verdade é que os tucanos ainda pensam que mandam no governo. Agem nas sombras, como se em uma administração paralela, sempre tentando inviabilizar o governo Alcides. O que há mesmo nessa turma é, para dizer o mínimo, déficit de humildade. Humildade para sentar e conversar, em vez de querer impor suas vontades e verdades absolutas.
A tendência, após o recuo e a furada estratégia de estender as investigações da dívida até 1991, apenas para tumultuar e fazer palanque, é o isolamento do PSDB na Assembleia. Falam em nome do “povo”, como se o povo fosse um patrimônio do PSDB. Nobres senhores: o povo quer é trabalho sério e honesto, e certamente não está interessado em tumulto e mesquinharias. CPIs como esta, a do Endividamento, de cunho eleitoreiro por excelência, só servem para gastar o dinheiro do contribuinte e satisfazer interesses pessoais.
Os deputados deveriam pensar nisso com mais seriedade. Por que não mostram à população algo realmente interessante, como o que fez o deputado Daniel Goulart, que tentou, até a última hora, impedir que um escritório de advocacia que recebeu milhões da Celg na gestão passada depusesse na CPI que investiga rombos na estatal? O tal escritório, caro leitor, prestou serviços sem passar por licitação.
Artigo publicado na edição do dia (2) de março de 2010, no jornal Diário da Manhã.
Sandro Mabel: “Marconi Perillo, como senador, é muito fraco”.
O deputado federal goiano, Sandro Mabel, é líder do PR na Câmara dos Deputados e presidente do diretório regional de Goiás.
Idealizador do movimento Cresce Goiás, concedeu entrevista ao site Alô Alô Brasil no 19º encontro realizado na cidade de Itauçu.
Alô Alô Brasil – O seu nome está sendo cogitado para ser o candidato ao governo de Goiás, apoiado pelos partidos da base do governo Alcides Rodrigues. O projeto Cresce Goiás, lançado pelo PR, faz parte da articulação política de sua candidatura?
Sandro Mabel – O movimento Cresce Goiás visa criar um plano de trabalho para o candidato ao governo, não importa qual seja ele. Temos três candidatos. A minha pessoa, o vice-governador Ademir Menezes e o prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Vieira Cardoso. Não temos dificuldades de nomes. A frente política dispõe de nomes como Ernesto Roller, Ronaldo Caiado, Jorcelino Braga e Barbosa Neto. O PR está se adiantando, com esse projeto, uma vez que a escolha do candidato está se demorando.
Alô Alô Brasil – Como o senhor avalia a atuação do senador Marconi Perillo, no senado?
Sandro Mabel – Ele tem uma atuação muito fraca, apesar de ele ser o vice-presidente do senado. Marconi tem se centrado em Goiás, na campanha para governador. Quando você é eleito para um cargo, você tem que se focar neste cargo. Fizemos uma pesquisa qualitativa e as pessoas, quando o comparam com o senador Demóstenes, acha que ele não está trabalhando bem, porque ele tem se dedicado muito pouco ao senado.
Alô Alô Brasil – O PR pretende indicar o nome de um prefeito para vice da chapa, no caso do candidato ao governo não ser do PR?
Sandro Mabel – Eu defendo, inclusive, o nome do prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Vieira, para candidato a governador. Ele está fazendo uma das melhores administrações do Estado e é municipalista. Irís Rezende, prefeito de Goiânia, é outro nome também importante.
Daqui a 30 dias, o governador Alcides Rodrigues nomeará sua nova equipe de trabalho, mas alguns secretários ou diretores de empresas poderão ser trocados antes do final de março. O núcleo duro do governo sugere que a cúpula da Ceasa seja trocada o mais rápido possível. Porque o superintendente Edivaldo Cardoso decidiu operar, junto com os dois deputados do PT do B, como articuladores da pré-campanha do senador Marconi Perillo ao governo. Um integrante do mesmo partido, José da Luz, já diretor da Ceasa, pode substitui-lo. Porque é apontado como “alcidista”. A ex-deputada Laudenir Lemes tenta impor seu marido Divino Lemes (PP).
O Alcides está satisfeito com a secretária da Saúde, mas, por insistir em fazer uma gestão pura e simplesmente tecnocrata, Irani Ribeiro de Moura tem sido criticada por integrantes do PP e partidos aliados. O médico Renato Ferreira, que nem aceita discutir a questão, é cotado para substitui-la. É apontado como competente, além de amigo de Alcides.
O empresário Roberto Elias Fernandes, presidente do Sinduscon, pode ir para a presidência da Agetop, no lugar de José Américo. O Fórum da Construção Civil deve indicá-lo. Os empresários avaliam que, ao concentrar os trabalhos da Agetop em apenas três empresas, Américo prejudicou o mercado. Roberto Elias também é considerado para a Secretaria de Infra-Estrutura. Vale acrescentar que a indicação será de responsabilidade do secretário Sérgio Caiado.
O PP quer porque quer retirar Olier Alves da chefia de Gabinete de Alcides. Pepistas avaliam que o governador não pode articular com ninguém porque, minutos depois, os tucanos são avisados. Dois nomes são arrolados para substitui-lo: Oclécio Pereira de Freitas, da Maçonaria, e Renato Ferreira.
Para o ambicionado cargo de diretor-geral do Detran, atualmente com Bráulio Morais, há pelo menos três nomes. O mais destacado é Washington Lucindo de Paula, dirigente do Sindicato dos Profissionais dos Centros de formação de Condutores de Autos de Goiás (Sinpocefc). Sérgio Caiado pode indicar um aliado.
Ricardo Jayme é o nome mais citado para presidir a Celg. Há quem no governo avalie que Carlos Silva deveria ser mantido no comando, mas ele prefere disputar mandato de deputado estadual. Aposta-se que, depois do acordo com a Eletrobrás, o presidente da companhia vai se tornar a rainha da Inglaterra do cerrado.
Barbosa Neto (PSB), candidato a deputado federal ou vice-governador, deverá ser substituído por Durval Mota na Agência de Turismo.
De partido de aluguel a protagonista, está é a posição do Partido da Republica (PR) antigo Pinga com Limão (PL) no cenário político deste ano. Em uma eleição que deve entrar para história de Goiás como a batalha final dos dois principais políticos do estado pós-redemocratização: Iris Rezende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB). Batalha final que depois quero falar mais nas páginas do DM.
Hoje a legenda comandada pelo deputado federal Sandro Mabel têm em suas fileiras o vice-governador Ademir Menezes e o prefeito revelação Vanderlan Cardoso de Senador Canedo. A máquina republicana está sendo cobiçada por peemedebistas e tucanos, tanto que, de um lado o senador Marconi Perillo desafeto de Sandro Mabel tentou conquistar o apoio da legenda por outra via, o tucano convidou a o prefeito Vanderlan para compor sua chapa como vice.
Caso Vanderalan aceite a empreitada, ele teria que deixar a prefeitura de Senador Canedo com índices de aprovação superando os 90% junto à população da cidade, perda que o tucano repararia com um provável apoio a Vanderlan, para prefeito da capital em 2012, caso o tucano fosse eleito governador.
Do outro lado o prefeito de Goiânia, Iris Rezende fez investidas essa semana, tentado obter o apoio dos republicanos. Oferecendo a vaga de vice para o deputado federal Sandro Mabel, um dos principais aliados do presidente Lula no estado. Mabel já foi deputado federal pelo PMDB e tem uma afinidade grande com o prefeito de Goiânia.
Um possível apoio dos republicanos a Iris certamente acabaria com a frente alcidista e forçaria o PP a caminhar com o PMDB, já que, neste momento está mais fácil Serra apoiar a Dilma do que o governador Alcides apoiar Marconi. Caso Sandro Mabel aceite a vice de Iris, também abriria caminho para o vice-governador Ademir Menezes e a primeira dama de Senador Canedo Izaura Cardoso conquistarem duas vagas na Câmara Federal em uma coligação proporcional composta por PMDB/PR/PT.
O certo é que o PR deve e vai influenciar os rumos da eleição deste ano, seja junto com Marconi ou nas fileiras de Iris. Cabe ao partido definir qual caminho é o certo, já que, o partido cresceu deve escolher um candidato responsável comprometido com o povo goiano.
Gravação indica compra de apoio político por Perillo
Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.
Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos "demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político". A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.
As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.
"O "trem" seu todo dá uns quatrocentos?", pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai "arrumar" parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: "Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar."
Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria "resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte". Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.
As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um "caminhão de arroz" . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que "ontem ou hoje ia me passar".
O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para "encomendar umas orações". Em seguida, deixa de falar em código. "Metade agora e metade na outra semana", afirma o tesoureiro ao pastor.
O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.
A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: "Podem usar isso no futuro." A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.
OUTRO LADO
o Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. "Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos", afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. "Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando". Ele nega o uso da máquina. "Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador."
O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. "Tenho muita afinidade com ele", afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.
Depois da batalha da eleição do Sindicanedo, a próxima guerra em Senador Canedo tem data e hora marcada para acontecer, será no dia 15 de fevereiro, as 20Hs na Câmara Municipal de Senador Canedo, onde os vereadores elegerão a mesa diretora que deve administrar a Casa no próximo biênio. Depois de uma mudança na Lei Orgânica do município, a reeleição foi permitida e com isso o atual presidente Geraldo Detran (PR), provavelmente deve concorrer a reeleição. Geraldo foi eleito por uma nova coalizão com vereadores novatos tirando do poder o grupo do vereador Paulo Roberto que vinha administrando a Câmara há vários mandatos. Outro vereador que também pretende concorrer à presidência é o vereador Roberto Lopes (PPS), ele já trabalha nos bastidores para ocupar a presidência da Casa.
APrefeitura de Senador Canedo inaugurou, na noite de ontem, a Maternidade Municipal Aristina Cândida. A unidade irá atender mais dez municípios da região metropolitana. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), Irani Ribeiro, a população das cidades pactuadas receberão atendimento mais próximo de suas residências e com qualidade.
A intenção é dar atenção especial às mulheres, com atendimento multidisciplinar. Além disso, a secretária de Saúde do Estado afirmou que, com a inauguração da maternidade de Senador Canedo, os atendimentos do Hospital Materno-Infantil (HMI), em Goiânia, serão reduzidos.
Construída em cerca de quatro anos, a maternidade está preparada para realizar mensalmente 264 partos, além de 1.500 procedimentos, como consultas e exames. No local, estarão disponíveis serviços psicológicos, nutricionais e de assistência social. Na unidade de saúde, as futuras mães serão acompanhadas a partir da 32ª semana de gestação, em situação normal, e em qualquer idade gestacional nos casos de alto risco.
O hospital foi construído com recursos do tesouro municipal e firmará parcerias com a SES e com a Universidade Federal de Goiás (UFG). O Estado doará o mamógrafo, para exames de prevenção. E a UFG assinou convênio com a maternidade. “A universidade fornecerá dois plantonistas, que são estudantes do 6º e do 5º período de medicina”, afirma o diretor do hospital, Fernando Pellozo.
Entre as novidades trazidas pela maternidade está o conforto oferecido nas enfermarias. Estes locais são dotados de aparelhos de ar condicionado e poltronas reclináveis para os acompanhantes dos pacientes.
A unidade também vai realizar atendimentos de urgência em ginecologia, terá sala para vacinas e o Teste do Pezinho, além de oferecer cirurgias eletivas como laqueadura, histerectomia, curetagem e incontinência urinária, entre outras.
Durante a inauguração da maternidade, o prefeito de Senador Canedo, Wanderlan Vieira Cardoso, afirmou que a obra é um sonho da comunidade. “O hospital será referência em saúde pública. Até o próximo dia 2, a maternidade funcionará a todo vapor”. Segundo o prefeito, o governo federal repassará R$ 4 milhões por ano. O deputado federal Sandro Mabel (PR) complementou que serão repassados R$ 350 mil por mês para o custeio da maternidade.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Salomão Rodrigues Filho, afirmou que a unidade representa que a população terá um serviço público de qualidade.
A maternidade tem o nome da parteira e avó do prefeito Wanderlan. Aristina Cândida afirma que ajudou em mais de 500 partos em Goiás, além de ser mãe de dez filhos. Aristina estava presente durante a solenidade de inauguração e afirmou estar muito feliz com a homenagem feita pelo prefeito, que também é neto da parteira.
profissionais
A equipe que vai atuar na Maternidade Aristina Cândida será contratada pela prefeitura daquele município. De acordo com o diretor da maternidade, em dois dias, a equipe estará completa, com ginecologistas, pediatras, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, infectologistas, anestesistas, entre outros.